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Anime de Ingress chega à Net flix e deve agradar principalmente fãs do jogo

Nem todos devem lembrar, mas, antes do sucesso estrondoso de Pokémon GO, a desenvolvedora Niantic era conhecida por outro jogo para celular com mecânicas e conceitos bem semelhantes aos do game dos monstrinhos. Embora não chegue nem perto de ter a mesma popularidade do irmão mais novo, Ingress mantém uma base dedicada de fãs que continuam explorando o universo de ficção científica do jogo.

Foi esse game que acabou virando uma série original da Netflix, mais especificamente um anime produzido pelo estúdio Craftar, dirigido por Yuhei Sakuragi (The Relative Worlds) e exibido no Japão ainda em 2018. A série chegou no último dia (30) ao serviço de streaming e nós tivemos acesso antecipado aos três primeiros episódios para escrever as impressões iniciais.

A trama introdutória de Ingress: The Animation acompanha os protagonistas Makoto e Sarah enquanto eles fogem de um grupo interessado em raptar a garota. Acontece que ambos têm poderes especiais ligados à Exotic Matter (XM), uma energia que está presente em todos os lugares, mas costuma se concentrar em pontos culturalmente importantes, como monumentos ou edifícios históricos (um conceito que você provavelmente conhece como Poképarada), influenciando a criatividade.

Após a descoberta da XM e de suas propriedades por cientistas do CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), uma parcela da humanidade acaba se dividindo em dois grupos, sendo um deles contrário e outro favorável ao uso da XM. Parte dessa explicação está presente na animação e serve para demonstrar um de seus pontos fortes.

Não demora para que a série comece a introduzir mecânicas do jogo original como elementos da história. Logo nos três primeiros episódios, os personagens descobrem praticamente toda a jogabilidade inicial de Ingress, podendo agradar até mesmo quem não passou mais do que algumas horas com o game aberto.

Mesmo com o jogo não sendo conhecido exatamente por sua complexidade, a adaptação sempre encontra meios interessantes de incluir essas referências. Visualmente, elas funcionam até mesmo quando são feitas de forma óbvia, como quando Makoto precisa sacar o celular para atacar portais inimigos no mundo real, amplificando a sensação que a realidade aumentada de Ingress sempre quis passar.

No entanto, toda essa dedicação em levar elementos do jogo para as telas pode acabar sendo responsável por afastar espectadores que não conhecem o material original. Um dos episódios até tenta resolver esse problema ao explicar todo o funcionamento básico do mundo de Ingress, quase como um tutorial, mas isso é feito de maneira tão rápida e simplificada que pode acabar criando mais confusão em quem está sendo apresentado agora às informações novas.

Pelo menos nessa introdução, Makoto e Sarah parecem ser personagens interessantes o suficiente para carregar a série. Embora sejam inicialmente definidos por suas habilidades, ambos começam a mostrar sinais de uma personalidade mais bem trabalhada e certamente terão muito espaço para crescer ao longo da temporada. Já a animação 3D (que tenta emular o 2D) funciona bem em cenas de ação, mas pode parecer “travada” demais nos poucos momentos tranquilos da história.

Ao longo da narrativa, há outros detalhes que só são captados por quem jogou Ingress (como os glifos que representam os nomes dos episódios), confirmando que esse deve ser mesmo o principal público interessado na produção. Mesmo assim, existem pontos positivos suficientes para que até quem não conhece o game, mas gosta de animes de ficção científica, dê uma chance para os primeiros episódios.

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