Paraná 

Soja preta começa a ser cultivada e promete rivalizar com feijão

“Depois de 13 anos de pesquisa e melhoramento genético, os primeiros mil quilos de sementes de soja preta vão ser multiplicados na safra 2019/20, num avanço que promete ser a redenção da leguminosa como ingrediente do cardápio brasileiro.”

“A nova soja, desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Epamig e a Fundação Triângulo, é rica em antioxidantes e apresenta sabor suave, garantem os pesquisadores. Essa característica é importante porque a resistência ao gosto forte da soja foi por muito tempo um desafio para a pesquisa científica.

“É muito gratificante ver uma cultivar atender a um nicho de mercado, tanto pelo seu potencial produtivo quanto pelas qualidades nutricionais”, diz Roberto Zito, da Embrapa Soja, em Londrina (PR).”

“A BRSMG 715A é capaz de enriquecer nutricionalmente uma feijoada, ou mesmo substituir completamente o feijão, devido ao elevado teor de proteína. “Os testes que fizemos mostraram que a soja preta tem sabor mais agradável e maior facilidade de cozimento do que a comum. Ela ainda é rica em antocianina, um antioxidante natural que reduz o envelhecimento das células”, assegura a pesquisadora Ana Cristina Juhász, da Epamig.”

“Juhász diz que as avaliações sensoriais indicaram que o sabor da soja preta foi considerado suave e bem aceito no preparo de saladas, na mistura com feijão preto e até mesmo na elaboração de “sojoada”, ou feijoada de soja preta.

Nas avaliações, o tempo de cozimento foi menor quando comparado ao de outras cultivares.

“Essa característica é importante para a dona de casa que vai cozinhar a soja”, ressalta. “Os grãos também não soltam a casquinha (tegumento) e não formam espuma na panela de pressão durante seu cozimento, características que as cultivares para indústria possuem e que o consumidor não aprecia”, completa.

Atividade antioxidante
Ao comparar as características das cultivares, a Embrapa concluiu que a soja preta tem pelo menos 1,8 vez mais atividade antioxidante que a soja amarela. Isso significa que a nova variedade tem maior capacidade para prevenir o envelhecimento, por exemplo.”

“No Brasil, serão multiplicados inicialmente mil quilos de sementes até que se consiga volume suficiente para atender a demanda de mercado. Indicada inicialmente para Minas Gerais, a BRSMG 715A apresenta produtividade similar à de outras cultivares convencionais disponíveis. “Além disso, é resistente às principais doenças, inclusive a nematoides de cisto e galha, que são problemas para a região de indicação”, afirma Zito.

A nova soja será um dos destaques das rodadas de negócios tecnológicos do Workshop Nichos de Mercado para o Setor Agroindustrial, que a Embrapa realiza com o Serviço Sebrae Nacional no Memorial da América Latina (SP), de 24 a 27 de outubro.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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