Morte de mulher por violência obstétrica gera revolta no Paraná

Morte de mulher por violência obstétrica gera revolta no Paraná

A morte da agricultora rural Claudete Aparecida de Jesus, por violência obstétrica, foi um dos motivos de ato público realizado na manhã do último sábado (14), em Guarapuava.

Conforme a coordenação, a agricultora Claudete Aparecida de Jesus, deu entrada no hospital em trabalho de parto às 2h da madrugada do dia 9 de janeiro. “Já internada, desde às duas horas da manhã, ela gritava por socorro e pedia que não a deixassem morrer. Mesmo assim, a médica que estava de plantão dizia que as dores eram normais. Porém, nenhum procedimento foi feito para ver como ela e o bebê estavam”, diz.

Entretanto, segundo o relato, às 18h desse dia, Claudete foi perdendo as forças. “Nesse momento forçaram o parto, rompendo órgãos internos da Claudete. Em seguida ela entrou em coma. O bebê [Emanuel] morreu dois dias depois”. Claudete então ficou internada na UTI do hospital e morreu no dia 27 de janeiro.

Conforme relatos da família, a mulher que morava na ocupação Rocha Loures, em Boa Ventura de São Roque, tinha 34 anos. Era casada com Renato e mãe de três filhas. “Exemplo de bondade, tranquila, organizada, participativa, Claudete foi vítima da crueldade de um sistema que não prioriza a vida”, disse Fátima, que é uma das organizadoras do protesto.

“Por isso estamos e estaremos em luta neste ato e em demais atos que se fizerem necessários. Pela vida das mulheres. Por partos humanizados. Em defesa do SUS. E dizendo “não” à violência obstétrica”. O Portal RSN entrou em contato com a administração do Instituto Virmond.

A decisão do Instituto foi em não comentar o caso, mas disse que respeita a manifestação. Entretanto, o nome da médica não foi revelado. De acordo com familiares, estão sendo reunidos documentos e a defensoria pública está auxiliando.

A Frente Brasil Popular afirmou que o protesto vai agregar movimentos sociais, populares e sindicais.


DESMONTE DO SUS
A morte de Claudete, assim como outras, está considerada uma consequência da aprovação da Emenda Constitucional 95. Anteriormente conhecida como PEC do Teto dos Gastos Públicos, a medida de austeridade fiscal foi assinada em 2016 pelo então presidente Michel Temer (MDB). Assim, ela condiciona por 20 anos, o investimento público em Saúde ao reajuste da inflação.

Alia-se a essa medida o recuo no programa “Mais Médicos”; e o definhamento das políticas públicas. A Educação também foi afetada por essa decisão.

Fonte:Catve