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A Câmara de Comércio Exterior (Camex) prorrogou nesta terça-feira (23) por mais seis meses as cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados e semidesmontados, no valor total de US$ 463 milhões. A medida beneficia principalmente a montadora chinesa BYD, que iniciou operações em sua fábrica em Camaçari (BA) no ano passado. As informações são da Gazeta do Povo.
O governo justifica a decisão como parte das iniciativas de descarbonização e renovação da frota. No entanto, montadoras tradicionais instaladas no Brasil consideram o benefício uma concorrência desleal. A Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirmou que a medida foi tomada sem consulta ao setor produtivo e altera uma política que previa o fim das cotas em fevereiro de 2026.
A Anfavea classificou a prorrogação como contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais e das empresas brasileiras de autopeças. Segundo a entidade, o mecanismo foi utilizado por algumas empresas para reforçar estoques de veículos importados, sem estimular a produção nacional. O presidente da associação, Igor Calvet, disse na segunda-feira (22) que cogitava levar a questão à Justiça.
O emplacamento de veículos importados cresceu 17,4% nos cinco primeiros meses do ano, para 222,9 mil unidades. Apenas os de origem chinesa cresceram 86,6%. A BYD saltou de 260 veículos vendidos em 2022 para 21.704 emplacamentos em maio deste ano, um crescimento de 5.500%.
Com os números recentes, a montadora chinesa ocupa a quarta posição do ranking de vendas de automóveis no Brasil, com participação de mercado de 8,5%. Dados do Google Trends mostram que o volume de buscas por BYD superou quase todos os principais concorrentes, incluindo Chevrolet, Volkswagen e Hyundai, já no primeiro semestre de 2024.
Nos últimos 30 dias, o interesse de pesquisa por BYD foi mais do que o dobro das concorrentes Chevrolet e Hyundai. Somente a Fiat mantém volume de buscas superior à montadora chinesa. Embora o governo tenha mantido o cronograma de elevação tarifária para veículos montados, que passam a recolher 35% de imposto de importação em julho, a criação de novas cotas favorece montadoras que estão iniciando operações locais.
Fonte do Artigo
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