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A segunda temporada de House of the Dragon terminou onde começou. O Time Verde (Aemond, Aegon, Alicent, os Hightowers, Sor Criston Cole etc.) e o Time Negro (Rhaenyra, Jace, Daemon, os novos cavaleiros de dragão de origem humilde etc.) estavam à beira da guerra. Se eu tivesse apenas uma crítica a fazer à segunda temporada, seria que muito pouco acontece entre a estreia e o final. Há muito “preparo de terreno” para a guerra, posicionamento de peças no tabuleiro, preparação para grandes acontecimentos futuros. A primeira temporada também foi bastante sobre lançar as bases para a Dança dos Dragões.
Se eu tivesse uma segunda crítica à segunda temporada, seriam as muitas mudanças confusas em relação ao livro de George R. R. Martin. A primeira temporada adicionou bastante conteúdo, mas havia uma boa razão para isso: a série passou um tempo nos apresentando Viserys I e sua família para estabelecer o conflito central, e isso foi feito de forma muito eficaz. Já a segunda temporada, por outro lado, fez alterações bem mais problemáticas.
Uma dessas mudanças foi a exclusão de Nettles, a jovem do livro que doma o dragão selvagem Sheepstealer. Na série, Nettles é substituída por Rhaena Targaryen. É uma mudança até compreensível: em vez de introduzir mais uma personagem em um elenco já enorme, deram a Rhaena — que não tem dragão — algo próprio para fazer. Não estou dizendo que concordo, mas entendo a lógica.
Outras mudanças foram mais difíceis de explicar. O assassinato de Blood & Cheese foi bastante suavizado e, embora ainda seja um momento horrível, perdeu o impacto brutal e o peso emocional que o tornavam tão poderoso no livro. O relacionamento entre Rhaenyra e Alicent também foi estendido além do necessário e começa a prejudicar o ritmo da história à medida que avançamos para a terceira temporada.
O arco de Rhaenyra também foi suavizado, com os criadores insistindo em apresentá-la como “a mocinha”, quando no material original ela é muito mais complexa, violenta e instável. Talvez isso ainda mude, mas há a sensação de que essa amizade entre Rhaenyra e Alicent acabou alterando as duas personagens para pior, tornando-as excessivamente simpáticas.
Algumas dessas mudanças deixaram personagens importantes em segundo plano. Em especial, três dos filhos de Rhaenyra — Joffrey, Aegon, o Jovem, e Viserys — aparecem tão pouco que é fácil esquecer que existem. E a ausência de dois deles na estreia da terceira temporada é estranha.
Na segunda temporada, Aegon, o Jovem, e Viserys são enviados para Pentos com Reggio Haratis, junto com Rhaena, embora ela fuja para encontrar e domar Sheepstealer. Joffrey e seu dragão permanecem no Eyrie. A viagem, no entanto, ocorre em um momento ruim, com a frota da Triarquia em movimento.
A estreia da terceira temporada foca na Batalha do Gullet, a maior e mais devastadora batalha naval da história de Westeros. Nos livros, ela começa quando o navio que transporta os filhos de Rhaenyra, o Gay Abandon, é atacado pela Triarquia. Aegon consegue escapar no dragão Stormcloud, embora a criatura seja atingida por flechas e depois morra. Ele abandona o irmão mais novo, Viserys, o que o envergonha profundamente. Viserys é capturado, enquanto Aegon leva o aviso do ataque e permite que Jace organize uma ofensiva aérea contra a frota inimiga.
A versão da série muda bastante esse evento. Já é possível perceber isso pela ausência de Aegon e do dragão morto. Talvez Viserys tenha sido capturado fora de cena, talvez Aegon reapareça depois, ou talvez ambos sejam simplesmente deixados de lado até a narrativa lembrar deles.
A inclusão de Sheepstealer como responsável indireto pela morte de Jacaerys cria um problema de repetição temática: Lucerys já havia morrido em circunstâncias semelhantes envolvendo Vhagar. O resultado é uma sensação de repetição, como se ambas as mortes seguissem o mesmo padrão narrativo.
Ainda assim, a morte de Jace segue em linhas gerais o livro: Vermax voa baixo demais, é atingido e cai no mar; Jace consegue se soltar, mas é morto por arqueiros inimigos. É uma morte brutal, embora o personagem tenha sido, em grande parte, deixado à sombra da mãe ao longo da série.

E então há Lohar, talvez a personagem mais criticada da adaptação. Ela é retratada como uma vilã quase caricatural, extremamente competente em tudo: estratégia naval, combate e liderança. A série a coloca em posição de superioridade constante, inclusive contra Corlys Velaryon e seus aliados.
O resultado é uma personagem que parece exageradamente invencível, lembrando versões menos sutis de vilões de Game of Thrones, sem o mesmo equilíbrio.
Há outras mudanças aqui, pequenas e grandes. Rhaenyra e Alicent, por causa de sua longa e estranha amizade, chegaram a um acordo. Alicent abriria Porto Real às forças de Rhaenyra e entregaria seu filho, Aegon, como parte da barganha. Aemond deveria estar fora, procurando Daemon.
No livro, Aegon é retirado em segurança por Larys Strong apenas depois que os dragões de Rhaenyra aparecem nos céus de Porto Real. Aemond já havia partido, tendo se gabado de que iria caçar e matar o tio. Na série, Alicent retorna à Fortaleza Vermelha e encontra Aemond no trono, enquanto Aegon já fugiu, escapando do próprio irmão em vez de enfrentar a fúria de Rhaenyra. Aegon e Larys são capturados na estrada neste episódio, e Larys acaba entregando-o com facilidade. Ambos são feitos prisioneiros.
Na série, Alicent participa de uma conspiração para derrubar o próprio filho e envia Aemond para lutar contra Daemon, convencendo-o a ir para Harrenhal. É apenas mais uma das formas como essa amizade contínua entre Rhaenyra e Alicent altera profundamente a história. Aemond e Alicent também se beijam, embora Aemond esteja mais envolvido emocionalmente do que ela.
Não desgosto necessariamente dessa mudança, embora ache que ela prejudica Alicent ao torná-la mais maleável e simpática na série, quando no livro ela é muito mais amarga, dura e não tem essa proximidade com Rhaenyra.
Enquanto isso, Ormund Hightower, chefe de sua Casa e lorde de Oldtown, primo de Alicent e sobrinho de Otto Hightower, marcha com seu exército em apoio ao Time Verde. Ele recebe uma mensagem de Alicent e decide manter suas forças onde estão, possivelmente como parte de algum plano dela.
Sor Criston Cole, o que nunca envelhece (sério, nem um fio de cabelo grisalho?), marcha com Sor Gwayne Hightower, irmão mais velho de Alicent. Gwayne, um homem honrado, vê uma camponesa correndo nua e chorando para fora de uma das tendas dos cavaleiros e confronta Criston, dizendo que algo precisa ser feito. Eles são cavaleiros e devem manter a honra. Criston responde que, se quiser, ele pode enforcar o responsável, mas não demonstra interesse em honra. Para ele, tudo isso é uma farsa. Em um mundo com dragões capazes de destruir tudo, qual o sentido da honra?
Enquanto isso, nas Terras Fluviais, vemos as consequências da última vitória militar de Daemon. Enquanto discutem os próximos passos, outra força chega ao campo, com bandeiras cinzentas e negras. Os Starks chegaram, e Roddy, o Ruína (também conhecido como Lorde Roderick Dustin, de Barrowton), entrega a Daemon a cabeça de um dos gêmeos Lannister. “Viemos lutar pela Rainha Dragão”, diz ele.
Rhaenyra passa boa parte do episódio trancada em seus aposentos, reclamando que “embora tenha o corpo frágil de uma mulher, tem o coração de um rei”, e sendo, de modo geral, pouco ativa — uma escolha narrativa estranha da série. Teria sido mais interessante vê-la tomando decisões e enviando seus guerreiros para a batalha.
Nada disso quer dizer que o episódio não tenha sido bom. Eu gostei, talvez até mais por não ter lido o livro. As cenas de batalha são interessantes, ainda que um pouco limitadas. Foi ótimo ver Alyn conseguir uma grande vitória, e estou feliz por não termos outra aparição de Lohar.
Também é empolgante ver os Starks chegando e se unindo a Daemon.
Como sempre acontece com esta série, há muito pelo que esperar: Aemond indo para Harrenhal; a fúria de Rhaenyra ao descobrir a morte do filho e como isso mudará suas decisões; e a guerra em si, com os Hightowers e os Starks entrando no conflito, e o confronto entre Aemond e Daemon.
Há muitas reviravoltas, traições sangrentas e dragões ainda por vir — incluindo Daeron, filho de Alicent, e seu dragão azul-cobalto, Tessarion. Espero que não demore para que esses elementos mais interessantes apareçam e que as mudanças não continuem tão drásticas a ponto de distorcer demais a história original.
A Batalha do Gullet originalmente seria o encerramento da segunda temporada, mas a HBO reduziu o número de episódios. Como início da terceira temporada, funciona, mas o ritmo parece um pouco deslocado.
No fim das contas, eles vão fazer Bran rei. Então é isso.
Por Erik Kain, colaborador sênior. Escrevo sobre séries de TV, filmes, videogames, entretenimento e cultura
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
Fonte do Artigo
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