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Sobreviventes e familiares das vítimas do massacre de Sharpeville, ocorrido em 21 de março de 1960, iniciaram um processo judicial que pede a declaração de inconstitucionalidade da Indemnity Act de 1961, lei que protegeu policiais e autoridades de ações penais e cíveis relacionadas aos disparos contra manifestantes.
O processo busca anular a Indemnity Act de 1961 e obter autorização para uma ação coletiva (class action) que, se certificada, permitiria que dezenas de vítimas e parentes processassem o Estado em conjunto. As partes defendem que a medida abre caminho para reparações coletivas e individuais e, possivelmente, para investigações criminais contra eventuais responsáveis, caso ainda estejam vivos.
O massacre de Sharpeville aconteceu durante um protesto contra as leis dos passbooks (dompas). Na ocasião, a polícia abriu fogo contra milhares de manifestantes: pelo menos 69 pessoas foram mortas no local, e estimativas de pesquisadores sul-africanos elevam esse número para até 91; mais de 200 ficaram feridas e acredita-se que mais de 1.300 projéteis foram disparados, segundo a BBC.
Sobreviventes citados na reportagem incluem Abraham Mofokeng, hoje com 86 anos, que ainda carrega uma bala alojada na coluna e uma sequela na perna, e Larazus Magotsi, de 90 anos. A memória do episódio é preservada localmente no Human Rights Precinct, em Sharpeville, onde 69 pilares lembram as vítimas.
Charne Tracey, uma das advogadas do caso, disse que a comunidade busca reparações que permitam a cura e a melhoria da qualidade de vida: “Além das indemnizações individuais, o que a comunidade procura é basicamente reparações para possibilitar a sua cura. Eles sentem que Sharpeville é uma comunidade esquecida”, conforme transcrito pela BBC.
O Prof. Frans Viljoen, especialista em direito Constitutional, afirmou que declarar a lei inconstitucional ajudaria a "limpar" a legislação herdada do regime do apartheid, observando que leis em vigor em 1994 permaneceram no ordenamento até serem revogadas pelo Parlamento.
O caso no High Court ainda tramita; a reportagem da BBC relata o pedido inicial e as motivações das partes, sem apontar uma data para decisão judicial.