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O ex-apresentador Fernando Antonio Dorne, de 54 anos, foi indiciado pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) por estupro, estupro em concurso de agentes, importunação sexual, assédio sexual e extorsão contra ex-colaboradores em Cascavel, no Oeste do estado, informou a corporação.
Conhecido como “Homem do Chapéu”, Dorne já havia sido preso em 16 de julho por outro caso, ligado ao recebimento de fotos de partes íntimas de bebês de um berçário de um Centro Municipal de Educação Infantil em Céu Azul; segundo a RPC, ele foi solto em 26 de agosto com uso de tornozeleira eletrônica. O indiciamento anunciado em 3 de setembro refere-se a investigação conduzida pela Delegacia da Mulher de Cascavel e é distinto daquele apurado em julho.
A apuração teve início a partir de denúncias feitas por ex-colaboradores da empresa onde Dorne ocupava função de gestão. Segundo a delegada Graziela Lopes, mulheres relataram atos sexuais sem consentimento, alguns com uso de violência física, e relatos de toques libidinosos sem consentimento.
A PCPR informou que cerca de 38 pessoas — entre vítimas, testemunhas e outros envolvidos — foram ouvidas durante o inquérito, concluído na quarta-feira (3). O processo será encaminhado ao Ministério Público.
Além das condutas de natureza sexual, a investigação atribuiu a Dorne crimes de extorsão. A polícia disse que funcionárias relataram terem sido obrigadas a repassar parte dos rendimentos, sob ameaça de demissão ou transferência para locais considerados menos vantajosos. Em contrapartida, parte dos colaboradores afirmou que o repasse era condição previamente acordada com a empresa.
A apuração também apontou possíveis irregularidades trabalhistas e situações que podem configurar assédio moral, que serão encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho, conforme informou a Polícia Civil.
Além de Dorne, outros três homens que trabalhavam na mesma empresa foram indiciados no mesmo inquérito por estupro em concurso de agentes. As identidades não foram divulgadas pela polícia.
A defesa de Fernando Antonio Dorne, representada pelo advogado Ruan Cavalaro, afirmou em nota que considera o indiciamento prematuro, alegando que a investigação foi concluída antes da realização da perícia no celular apreendido, diligência que, segundo a defesa, poderia trazer elementos essenciais para esclarecer os fatos. A nota também sustenta que há indícios de motivação financeira e pessoal por trás das denúncias e nega a prática dos crimes atribuídos ao investigado, ressaltando o princípio da presunção de inocência.
Dados divulgados: o inquérito foi concluído em 3 de setembro de 2026; o nome da empresa investigada não foi divulgado; o caso seguirá ao Ministério Público.