Newsletter Subscribe
Enter your email address below and subscribe to our newsletter
Enter your email address below and subscribe to our newsletter







O Paraná concentra o maior número de estudantes com altas habilidades e superdotação em idade escolar do Brasil. Segundo o Censo Escolar 2025, 15.659 alunos com esse perfil estão matriculados em escolas do estado, à frente de São Paulo (5.660 alunos) e Rio de Janeiro (4.012). Desse total, cerca de 12 mil estudam na rede estadual, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR).
O crescimento acompanha uma mudança na forma de identificar esses estudantes. Desde 2014, o Ministério da Educação (MEC) deixou de exigir laudo médico ou teste de QI para o reconhecimento das altas habilidades e passou a considerar a avaliação pedagógica como principal critério. A mudança facilitou a identificação desses estudantes e coincidiu com um crescimento das matrículas registradas pelo Censo Escolar.
Também desde então, o Paraná expandiu a estrutura voltada a esses estudantes. Em 2013, a rede estadual mantinha 54 salas, distribuídas em 28 municípios, com atendimento especializado para alunos com altas habilidades. Atualmente, são 315 salas de recursos multifuncionais em 167 escolas, destinadas ao acompanhamento educacional desse público.
Apesar do avanço, o número real ainda estimado pode ser maior do registrado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 2% e 5% da população apresente altas habilidades ou superdotação. Aplicada ao universo de estudantes matriculados na educação básica paranaense, essa proporção indicaria um contingente que pode chegar a cerca de 120 mil alunos, número muito superior aos 15,6 mil atualmente identificados no estado.
No Brasil, estudantes com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) fazem parte do público-alvo da Educação Especial. A legislação garante atendimento educacional especializado, com metodologias, recursos e estratégias adaptadas para desenvolver o potencial desses alunos. Em alguns casos, também é possível acelerar os estudos, permitindo que o estudante conclua etapas da educação básica em menos tempo.
Na rede estadual, o Colégio Estadual Vereador Raulino Costacurta, em Colombo, reúne o maior número de estudantes com altas habilidades e superdotação do Paraná. A unidade atende cerca de 120 alunos em salas de recursos multifuncionais.
Já na rede privada, um dos principais centros fica no Colégio Donaduzzi, em Toledo, onde aproximadamente 150 crianças e adolescentes desse público estudam. A instituição oferece bolsas integrais para alunos superdotados da rede pública aprovados em um processo seletivo específico.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), estudantes com altas habilidades ou superdotação apresentam potencial elevado em uma ou mais áreas, como capacidade intelectual, desempenho acadêmico, liderança, artes ou psicomotricidade. Na prática, porém, esse conceito ainda é cercado por estereótipos.
Para o coordenador da Academia Donaduzzi, Gustavo Klein, ainda é comum associar a superdotação apenas ao desempenho em matemática ou ao raciocínio lógico. “As altas habilidades podem aparecer em qualquer área do conhecimento ou até mesmo em competências que não estão ligadas diretamente ao conteúdo escolar. Um estudante pode apresentar um potencial excepcional para falar em público, escrever, liderar grupos ou até desenvolver habilidades socioemocionais”, explica.
A identificação desse perfil costuma envolver uma avaliação conduzida por neuropsicólogos, que utilizam testes cognitivos, entrevistas e observações comportamentais.
No ambiente escolar, porém, os primeiros indícios geralmente surgem na sala de aula, quando professores percebem que determinado estudante demonstra interesse, criatividade ou desempenho acima da média em um tema específico.
“Quando o estudante encontra uma área pela qual realmente se interessa, essa diferença fica evidente. Os professores conseguem perceber tanto nas aulas quanto nos projetos desenvolvidos na academia”, afirma Klein.
Segundo ele, o principal desafio não é apenas identificar esses talentos, mas criar oportunidades para que sejam desenvolvidos. “Nosso objetivo é ajudar o estudante a descobrir aquilo que realmente o motiva. A partir disso, oferecemos programas paralelos, como empreendedorismo, iniciação científica e projetos de pesquisa, para que ele desenvolva esse potencial”, completa.
A legislação brasileira assegura que crianças e adolescentes com altas habilidades tenham acesso gratuito ao atendimento especializado tanto em escolas públicas quanto particulares. Esse suporte pode ocorrer por meio das salas de recursos multifuncionais, no contraturno escolar, ou pelos Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S).
Nesses espaços, os estudantes recebem um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) ou Plano Educacional Individualizado (PEI), que adapta e enriquece o currículo conforme suas necessidades e interesses, sem afastá-los da convivência com os demais colegas. Na rede estadual, segundo a Seed-PR, todos os estudantes com altas habilidades comprovadas estão em salas com recursos especiais.
Na iniciativa particular, cada escola tem liberdade para pensar em seu próprio modelo, contanto que esteja dentro das bases da lei. No Biopark, em Toledo, esse trabalho acontece entre a Escola e a Academia Donaduzzi, onde os estudantes desenvolvem projetos em pequenos grupos, normalmente com até seis participantes que compartilham interesses ou habilidades semelhantes.
“O processo educacional precisa ser integral, contemplando não apenas o desenvolvimento intelectual, mas também os aspectos emocionais e sociais”, afirma o presidente do Biopark, Paulo Costa, ao explicar a separação por grupos. “A educação precisa fazer sentido. Nossos estudantes precisam conectar o que está sendo trabalhado em sala de aula com a realidade deles, então, podem escolher, no contraturno, mais de 60 módulos educacionais que fazem sentido para cada um.”
Segundo ele, o modelo adotado na instituição demonstra potencial para inspirar outras iniciativas voltadas ao atendimento desse público. Para isso, a expectativa da instituição é ampliar o projeto nos próximos anos. A meta é que, até 2027, o Colégio Donaduzzi atenda mais de 2 mil estudantes de Toledo e de outros 22 municípios da região.
Home Page – Início
Fonte do Artigo
See more: The Global Track