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Dois gêmeos nascidos prematuros, Raghad Hassan e seu irmão Raad, chegaram ao hospital al-Sadaqah em Aden quase sem forças após a família fugir quando rebeldes houthis alcançaram sua aldeia nas montanhas de Kahboub, no sudoeste do Iêmen. A família de sete pessoas caminhou por três dias até conseguir transporte para a cidade portuária.
Ao chegar, ambos foram diagnosticados com desnutrição aguda severa. Médicos e enfermeiros descreveram os bebês como extremamente magros; Raad estava mais grave e não conseguia manter o leite fortificado no estômago. A mãe, Lina, e o pai, Bajash Ali Sagir Hassan, relataram dificuldades para alimentar os filhos devido ao aumento do preço do leite infantil.
Bajash contou que Durant a fuga o grupo sofreu com frio, poeira e exaustão. "Foi muito difícil", disse ele. Na internação, os profissionais precisaram improvisar para acolher os irmãos: a enfermeira supervisora Aisha Ragab, que também fugiu de combates em 2018, resolveu acomodá‑los juntos em um mesmo leito para garantir tratamento imediato. Lina alimentava os bebês com pequenas quantidades de leite fortificado; Raad, no entanto, não conseguiu mantê‑lo.
A unidade de desnutrição do al-Sadaqah tem 22 leitos, mas a equipe informou que costuma admitir apenas 13 pacientes críticos por vez devido à escassez de financiamento internacional, pessoal e equipamentos. “É triste dizer, mas perdemos pacientes [por causa das condições]”, afirmou a médica Noor Mohammed. Ela acrescentou que faltam equipamentos como respiradores e cilindros de oxigênio e que muitos exames laboratoriais são difíceis de realizar.
Segundo as Nações Unidas, cerca de 800.000 pessoas deixaram de receber ajuda vital e mais de 250.000 foram deslocadas nos últimos três meses após o colapso de um cessar‑fogo informal no verão. Desde então, os houthis avançaram rapidamente ao longo da costa do Mar Vermelho e cortaram completamente a terceira maior cidade do país, Taiz.
Além dos gêmeos, a reportagem registrou outras famílias em situação semelhante. Bajash teve de deixar parte de sua criação — dez ovelhas — e agora cuida dos três filhos mais velhos, todos com menos de cinco anos, que chegaram a passar a noite na rua enquanto ele buscava atendimento para os recém‑nascidos. A médica Noor Mohammed disse que muitos pacientes retornam às poucas semanas por falta de condições econômicas para manter a recuperação.
As informações desta reportagem são baseadas em material publicado pela BBC, com relatos de profissionais de saúde, membros da família e dados divulgados pelas Nações Unidas.