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Por Redação CGN
Atualizado em
A CGN teve acesso a informações que revelam que uma gestante de Cascavel entrou na Justiça contra o Governo do Paraná e a Prefeitura de Cascavel para conseguir uma vaga em um hospital preparado para receber o filho que está prestes a nascer. O bebê tem uma malformação grave no coração e, segundo os médicos que acompanham o caso, corre risco real de morte se nascer em uma unidade que não tenha, ao mesmo tempo, equipe para parto de alto risco, UTI neonatal e cirurgia cardíaca infantil.
A gestante está na 31ª semana de gravidez — o parto pode acontecer a qualquer momento — e, segundo o pedido, já se passaram 40 dias desde que a transferência foi solicitada ao sistema de saúde, sem que um hospital fosse confirmado.
O diagnóstico foi descoberto ainda no início da gravidez, quando exames de ultrassom mostraram sinais de alerta no coração do feto. Investigações posteriores confirmaram que o bebê tem apenas um dos dois lados do coração funcionando — uma condição chamada Síndrome de Hipoplasia do Coração Esquerdo. Na prática, isso significa que, logo após o nascimento, o organismo do recém-nascido depende de um mecanismo natural que se fecha sozinho nas primeiras horas de vida. Quando esse mecanismo se fecha sem que o bebê esteja em um hospital preparado para intervir, o risco é de parada circulatória e morte.
Por isso, a médica que acompanha o caso recomendou que o parto não aconteça em Cascavel, mas em uma unidade que já tenha toda a estrutura necessária reunida no mesmo lugar — incluindo cirurgia cardíaca pediátrica e laboratório de cateterismo. A família chegou a pedir a transferência pelo programa de Tratamento Fora do Domicílio (TFD), mas, segundo documento do próprio Governo do Estado juntado ao processo, não houve confirmação de vaga: foram “sucessivas tentativas de vinculação hospitalar para o parto, todas infrutíferas”.
Diante da falta de resposta, a orientação que chegou à família foi de que o parto aconteça no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel, com transferência do bebê só depois do nascimento. É exatamente esse plano que a Defensoria contesta na Justiça. Segundo o processo, o HUOP não tem cirurgia cardíaca pediátrica nem laboratório de hemodinâmica — o que significa que, se o bebê nascer ali, a família ainda vai precisar torcer por uma vaga em outra cidade, com todo o risco de atraso que isso pode gerar justamente nas horas mais críticas.
Como alternativa, a Defensoria também pede que, caso a transferência da mãe antes do parto não seja possível, a Justiça determine desde já a reserva de um leito de UTI neonatal em um hospital preparado, além de transporte aéreo do bebê em até 12 horas após o nascimento — prazo que, segundo o processo, foi confirmado como viável pela própria Central de Regulação de Leitos do Estado.
O pedido de urgência foi protocolado em 21 de julho e pede decisão em até 48 horas. A ação ainda não foi julgada.
Nota de transparência editorial: Cabe destacar que o processo é um pedido judicial e ainda não há decisão da Justiça. O Governo do Paraná e a Prefeitura de Cascavel ainda não se manifestaram publicamente sobre o caso. A CGN mantém o espaço aberto para manifestação da Secretaria de Estado da Saúde, da Procuradoria-Geral do Estado, da Prefeitura de Cascavel e da Defensoria Pública, caso queiram apresentar esclarecimentos.
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