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Ana Beatriz Cruz, que ficou paraplégica após ser atingida por um galho na Praça Osório, em Curitiba, no dia 13, tem dado sinais de reação após a aplicação da polilaminina, realizada em cirurgia um dia depois do incidente. Segundo Vanessa Stubinski, mãe da jovem, ela mexeu os dedos do pé ao ter as cerdas de uma escova de dentes passada na panturrilha.
Vanessa conta que o humor da filha, de 22 anos, oscila. Há momentos em que ela está mais otimista; em outros, entende a gravidade do acidente e as sequelas. Com o impacto do galho, Ana Beatriz teve fratura nas vértebras T5 e T6, dilaceramento da medula entre as duas vértebras e perfuração no pulmão.
“Ela oscila, mas passa a maior parte do tempo confiante”, contou a mãe à Tribuna nesta terça-feira (23). “Às vezes brinca com a situação, mas em alguns momentos, puxa para a realidade, porque ela está um pouco fora… Ela não tem dimensão, só ficou internada. Acho que a ficha dela ainda não caiu. Acho que vai cair quando ela passar para a reabilitação”, avalia.
A família espera que Ana Beatriz deixe a UTI do Hospital do Trabalhador até o final desta semana e então seja transferida para o Centro Hospitalar de Reabilitação, parte do Complexo Hospitalar do Trabalhador.
A expectativa inicial é que ela permaneça na outra unidade por três meses. Lá, informa Vanessa, dará sequência ao tratamento, com fisioterapia e trabalhos para se adaptar ao uso da cadeira de rodas, com objetivo de desenvolver mobilidade própria, de forma independente.
Para evitar ansiedade, Ana preferiu se afastar do celular. “Ela está sem o celular, não está acompanhando nada do que está acontecendo”, destaca Vanessa. Nos últimos dias, porém, a jovem disse ter “saudade de rolar a tela”. Então, pegou por alguns minutos o celular da mãe, mas não quis permanecer muito tempo com ele.
“A gente brinca: ‘você está famosa’”, conta Vanessa. Ainda segundo a mãe, Ana Beatriz costuma ouvir das enfermeiras que ela é muito amada, e que muitas pessoas estão orando por ela, para que a filha se sinta acolhida. “Falei: você ainda vai testemunhar um milagre”, recorda Vanessa.
Vanessa conta que foram ministradas duas ampolas da polilaminina simultaneamente, uma no início e outra no final da lesão. “Estamos tendo um bom resultado de início”, informa. “Ela apresentou bastante reflexo na planta do pé. Quando é estimulado com a unha ou com massagem, os dedos têm reação”, conta.
A reação dos dedos do pé à escova de dentes na panturrilha aconteceu pouco mais de uma semana após a aplicação da polilaminina. Segundo Vanessa, um dos primeiros pacientes no Brasil a receber a proteína só teria tido essa mesma reação ao estímulo cerca de cinco meses após a aplicação.
O procedimento cirúrgico de aplicação foi conduzido pelo médico pesquisador Olavo Borges Franco, pelo neurocirurgião João Elias Sarraf e pelo coordenador do Programa de Acesso Expandido (uso compassivo) da Polilaminina, Mitter Mayer Borges.
Médico, Borges é parte do grupo de trabalho da proteína, junto com a bióloga e pesquisadora Tatiana Sampaio. Segundo Vanessa, o especialista acredita que as reações de Ana Beatriz aos estímulos podem sinalizar que a sensibilidade está voltando aos poucos.
No boletim médico da manhã desta terça-feira (23), a família foi avisada que o dreno instalado no pulmão machucado será retirado, já que o órgão respondeu bem ao tratamento.
Fonte do Artigo
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