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Paranaense descobre que taças de leilão contêm radiação após teste com luz negra e inicia coleção curiosa de uralina

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O brilho esverdeado revelou um segredo antigo em taças de leilão, transformando uma compra comum em uma fascinante e radioativa coleção de uralina.

Tudo começou quando a empresária Camilla Trovó Gimenes, de Londrina, no Paraná, decidiu testar suas novas aquisições com uma lanterna de luz negra. Ao aproximar o equipamento, as peças brilharam em um tom verde vibrante, confirmando que se tratava de uralina, um vidro especial fabricado com óxido de urânio.

A descoberta, que surpreendeu a colecionadora, levanta dúvidas sobre a segurança desses objetos antigos. Conforme informações divulgadas pelo g1, especialistas garantem que, embora contenham material radioativo, essas peças não representam um risco de acidente radiológico como o ocorrido com o Césio-137 em Goiânia.

A seguir, vamos entender os cuidados necessários, o que diz a legislação brasileira sobre a posse desses itens e por que eles continuam despertando tanto interesse entre os colecionadores de antiguidades.

O que é a uralina e por que ela emite radiação?

A uralina é um tipo de vidro que possui óxido de urânio em sua composição, o que confere ao material uma fluorescência característica sob a luz negra. A fabricação dessas peças foi muito comum até a década de 1940, quando a exploração do urânio passou a ser voltada para o mercado de guerra e a ciência começou a debater os efeitos da exposição à radiação.

Segundo o professor de física Augusto Ricci Murakami, a uralina contém majoritariamente o isótopo Urânio-238. Ao contrário de substâncias mais instáveis, este isótopo possui uma meia-vida de cerca de 4,5 bilhões de anos, o que significa que ele libera radiação de forma extremamente lenta e distribuída ao longo do tempo.

Riscos à saúde e recomendações de segurança

A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) estabelece que peças de uralina são seguras para fins decorativos, desde que respeitem a dose efetiva de 1 mSv por ano. A recomendação principal é manter os objetos em locais protegidos, como cristaleiras, evitando o uso diário para o consumo de alimentos ou bebidas.

O professor de química Fábio Cezar Ferreira ressalta que o maior perigo ocorre se os itens forem usados para armazenar alimentos, especialmente os ácidos, que podem interagir com o metal radioativo. Além disso, a radiação emitida tem um alcance muito curto, geralmente não ultrapassando 15 centímetros de distância da peça.

O que a lei diz sobre a compra e o descarte?

A fabricação de novas peças de uralina é proibida no Brasil desde julho de 2025, conforme a Resolução 344 da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). No entanto, o comércio de objetos antigos já existentes é permitido, sendo tratados como commodities, já que não oferecem perigo à saúde quando mantidos dentro das normas de segurança.

Em caso de quebra ou necessidade de descarte, o material nunca deve ser jogado no lixo comum. A orientação oficial é encaminhar o vidro para uma unidade autorizada pela CNEN, que possui infraestrutura adequada para o armazenamento de rejeitos radioativos, garantindo que o urânio não contamine o meio ambiente.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. A uralina é perigosa para quem mora na mesma casa?
Não, desde que seja usada apenas como decoração. A radiação emitida é de baixíssima intensidade e, se guardada em uma cristaleira, não oferece riscos à saúde.

2. Como saber se tenho uma peça de uralina?
O teste mais simples é utilizar uma lanterna de luz negra. Se o vidro brilhar em um tom verde fluorescente intenso, há uma grande chance de ser uralina.

3. Posso beber água ou vinho nessas taças?
Não é recomendado. O contato com alimentos, principalmente líquidos ácidos, pode facilitar a interação com o urânio presente no vidro.

4. O que fazer se uma peça de uralina quebrar?
Não descarte no lixo comum. Entre em contato com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para saber como proceder com o descarte correto do material.

5. Por que as peças de uralina brilham?
O brilho não é causado pela radioatividade em si, mas pelas propriedades químicas do urânio, que reage sob a luz ultravioleta, gerando a fluorescência verde característica.

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