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Estrategista Zuza Nacif transformou o não alinhamento a Lula ou Bolsonaro em caminho para a reeleição de Plínio Valério ao Senado.
Em uma eleição marcada pela polarização nacional, o mineiro Zuza Nacif escolheu outro caminho para levar Plínio Valério à reeleição ao Senado. Sem o palanque de Lula ou de Flávio Bolsonaro, e sem aliança com nenhum candidato a governador, a candidatura apostou na força do digital, na prestação de contas e em uma comunicação com a cara do povo amazonense.
Durante boa parte da campanha, Plínio Valério apareceu fora das duas vagas nas pesquisas e chegou a ocupar a quinta posição em alguns levantamentos. Seus posts atingiam poucas dezenas de pessoas na pré-campanha e o desconhecimento do candidato ultrapassava os 60% da população nas pesquisas iniciais.
Com um mandato muito produtivo, mas silencioso, o desafio incluiu dar visibilidade, recuperar as entregas do mandato e posicionar Plínio Valério como alguém independente e conhecedor da realidade do amazonense, tendo Brasília como adversário e não seus concorrentes.
O resultado foi uma virada nas urnas que poucos previram. 948.793 votos e reeleição garantida.
O processo se iniciou com um verdadeiro letramento digital do candidato e de seu time local. Foram apresentadas dezenas de referências, análises sobre tendências de consumo da informação e uma “anatomia do post” construída sob medida para a campanha, incluindo ganchos, trilhas, formatos, lettering e muitas outras pitadas de estratégia.
A comunicação também aproximou a imagem pessoal do senador do eleitor. O terno e a gravata deram espaço a roupas mais simples e cenas do cotidiano.
Com apenas 22 segundos de propaganda eleitoral de rádio e televisão, a internet ganhou peso ainda maior na estratégia. Mais do que simplesmente reproduzir discursos de plenário (embora cortes estratégicos tenham sido usados), foram utilizados jingles vibrantes, vídeos curtos e ganchos para prender a atenção nos primeiros segundos, com conteúdos adaptados para Instagram, TikTok e Facebook.
A campanha procurou ampliar os pontos de contato com o eleitor, mostrando que temas como saúde, desenvolvimento e infraestrutura poderiam mobilizar pessoas com diferentes visões ideológicas.
Segundo Zuza Nacif, “Rede social não pode ser um diário do candidato. O usuário precisa ter um motivo para parar, assistir, entender e compartilhar e assim, transformar likes e views em votos”.
O slogan “O senador da gente” sintetizou a estratégia. Plínio Valério passou a ser apresentado como o único candidato nascido no Amazonas e que realmente conhece a realidade.
A pauta estadual combinava a BR-319, a proteção da Zona Franca de Manaus, o valor recorde de emendas para todos os municípios do Estado e um cuidado especial com a saúde.
Já os temas nacionais incluíam na CPI das ONGs, a lei que reduziu a idade mínima para a mamografia no SUS, a defesa de maior autonomia para o Banco Central, a proposta de mandato para ministros do STF e outras posições do Senador.
Ao mostrar conhecimento dessa realidade, Plínio se apresentava com a autoridade de um “caboco” das barrancas do Juruá, disposto a garantir que aqueles que não conhecem o estado, não decidam pelos mais de 4 milhões de amazonenses.
Para Zuza Nacif, “A estratégia foi entender que o eleitor amazonense queria um candidato que falasse da vida real do Amazonas. O desafio era transformar o mandato em uma conversa que coubesse no celular e tivesse a cara do estado”, afirma.
A mensagem “Dê um voto pelo Amazonas” procurou mostrar que um eleitor poderia manter sua escolha ideológica para o primeiro voto e usar o segundo para buscar equilíbrio e defender pautas específicas do Amazonas.
“O eleitor não deixou de ter posição ideológica. O que foi feito, foi mostrar que o primeiro voto poderia ser ideológico e o segundo poderia ser pelo Amazonas”, conta Nacif.
Conforme Zuza Nacif, o caso ultrapassa a disputa amazonense. “O que aconteceu no Amazonas mostra que não basta escolher um lado e repetir a mesma mensagem para todos. É preciso entender o eleitor, o território e o momento. Plínio Valério tinha posição política, e conseguimos mostrar que ele também tinha história, mandato e uma relação real com o Amazonas e que isso era maior que a polarização”.
A campanha combinou identidade local, prestação de contas, posicionamento político e linguagem digital. O resultado foi uma reeleição que mostrou a viabilidade, em uma disputa polarizada, para uma comunicação capaz de falar diretamente sobre o que é mais relevante para a vida das pessoas.