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40% das mulheres já renunciaram a empregos devido à falta de segurança e dificuldades de acesso no transporte, aponta pesquisa

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Estudo detalha como a mobilidade urbana precária e a sensação de insegurança forçam mulheres a abrir mão de oportunidades de emprego e estudo no Brasil

No Brasil, a mobilidade urbana tornou-se uma barreira silenciosa e persistente para a participação feminina no mercado de trabalho. De acordo com informações divulgadas pela Agência Brasil, quatro em cada dez mulheres, o equivalente a 39%, já desistiram de uma vaga de emprego ou de uma oportunidade profissional por causa de dificuldades de deslocamento.

O cenário é agravado por fatores como a falta de segurança, os custos elevados do transporte, o tempo gasto no trajeto e a própria configuração do território urbano. Os dados fazem parte da pesquisa O Direito de Ir, Vir e Viver, realizada pela consultoria Indique em parceria com a organização feminista Think Eva e a 99.

O impacto também atinge a educação, já que 21% das mulheres ouvidas desistiram de realizar cursos de capacitação ou faculdade devido aos obstáculos enfrentados no cotidiano.

Insegurança e violência como principais impedimentos

A insegurança é apontada como o maior entrave para a mobilidade feminina. Segundo o estudo, 32% das participantes citam a violência ou o medo de sofrer agressões como o principal motivo para não se deslocarem. A falta de recursos financeiros aparece em segundo lugar, com 22%, seguida pela precariedade dos ônibus e trens, com 15%, e pela longa distância dos destinos, com 14%.

Para evitar situações de perigo, 87% das mulheres afirmam evitar certos bairros ou regiões da cidade, enquanto 73% planejam rigorosamente seus horários de saída e chegada. A estratégia de proteção inclui ainda evitar meios de transporte específicos, prática adotada por 63% das entrevistadas, e mudar a rota habitual para o trabalho ou estudo, relatada por 60% delas.

Assédio sexual e a vulnerabilidade nos trajetos

O assédio sexual é uma realidade alarmante no transporte público brasileiro. A pesquisa constatou que 89% das mulheres relatam ter sido vítimas de algum tipo de assédio em veículos de transporte. O ônibus é o local onde a incidência é maior, atingindo 68,8% das mulheres, seguido por deslocamentos a pé, com 60,8%, e metrô ou trem, com 50,2%.

Embora a bicicleta e a moto por aplicativo sejam vistas como opções que deixam as mulheres menos vulneráveis, elas ainda são citadas como locais de ocorrência de assédio por 6,6% e 4,1% das participantes, respectivamente. Essa constante ameaça restringe o direito de ir e vir, limitando o acesso a espaços sociais, lazer e oportunidades de crescimento.

O papel da mulher como cuidadora e o impacto na renda

A jornada feminina é frequentemente marcada pela sobrecarga de cuidados, o que influencia diretamente o planejamento dos deslocamentos. Cerca de 54% das entrevistadas afirmam realizar tarefas de cuidado sozinhas. Isso torna o trajeto mais complexo, envolvendo paradas obrigatórias em escolas, farmácias e consultas médicas antes de chegar ao trabalho ou retornar para casa.

A renda familiar define a escolha do modal de transporte. Enquanto 80,3% das mulheres de baixa renda dependem do ônibus, apenas 8,3% possuem carro próprio. Já entre as mulheres de alta renda, o uso de carro particular é de 40,6%. O carro por aplicativo acaba sendo uma alternativa recorrente, utilizada por 80% das entrevistadas, mesmo pesando no orçamento doméstico.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual a porcentagem de mulheres que já desistiram de empregos por questões de mobilidade? Cerca de 39% das mulheres brasileiras já abriram mão de vagas ou oportunidades profissionais devido a dificuldades de deslocamento.

Quais são os principais fatores que impedem o deslocamento feminino? Os principais motivos são a insegurança e a violência (32%), falta de dinheiro (22%), precariedade do transporte público (15%) e a distância (14%).

O assédio sexual é frequente no transporte público? Sim, 89% das entrevistadas relataram ter sido vítimas de assédio em pelo menos um tipo de veículo, com maior incidência em ônibus e trajetos a pé.

Como a função de cuidadora impacta o deslocamento das mulheres? Por serem responsáveis pela maioria das tarefas de cuidado, como levar dependentes à escola ou ao médico, 44% das mulheres escolhem o veículo de transporte baseando-se nessas responsabilidades.

Quantas mulheres participaram da pesquisa? A etapa quantitativa do estudo ouviu 564 mulheres, com idades entre 18 e 60 anos, em diversas capitais e cidades brasileiras, entre junho e julho de 2026.

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fabioaugusto
REDAÇÃO: UBIRATÃ ONLINE - FÁBIO AUGUSTO CELESTINO

Desde 2003 trabalhando com notícias.

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