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Quem é o jovem paranaense do agro na lista Under 30 da Forbes

Quem é o jovem paranaense do agro na lista Under 30 da Forbes

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Um projeto de iniciação científica no ensino médio se transformou em um negócio que, 13 anos depois, atende 580 mil hectares (safra 2025/2026), 160 produtores e mais de dez estados no Brasil, e já projeta outros países. O que começou no laboratório de um colégio em Londrina, em 2013, fez do então adolescente João Maccori Barboza, neto de produtor rural, uma referência no tratamento de sementes, mercado que movimenta algo em torno de R$ 70 bilhões por ano. 

Barboza, hoje com 25 anos, criou a startup Dioxd em 2018, a partir da pesquisa que deu início cinco anos antes, ainda como estudante. A metodologia criada por ele emprega um composto formado por seis gases capaz de obter o melhor de sementes de soja, feijão, milho, algodão e trigo.  

No laboratório da escola 

“A primeira metodologia que eu desenvolvi foi para construir um catalizador para reduzir a emissão de CO2 gerado pelas indústrias. E foi um fracasso total”, lembra Barboza, dos tempos de estudante. Da aparente derrota, o estudante fez uma oportunidade. Estudou a possibilidade de inserir esses gases no solo, e o resultado foi animador. O passo seguinte foi identificar a composição ideal de gases e a concentração de cada um deles, pressão e tempo de aplicação, para alterar a fisiologia e o processo de respiração da semente.   

A metodologia começou a ser aplicada na cultura de soja, seguida pela de feijão. Milho e trigo já entraram no portfólio. Para este ano, a intenção é aplicar a tecnologia na cultura de algodão.    

O composto de gases aplicado na fase pré-plantio melhora a performance da semente em campo. Como resultado, ganhos de produtividade de até 12%. “São alterações bioquímicas e fisiológicas tratadas na semente que me permitem extrair esse potencial genético e gerar aumento de produtividade”, explica. “Em saca de soja, a gente gera quatro sacas a mais. Em milho, sete; em algodão, 11 arrobas por hectare”, contabiliza. 

O sucesso da metodologia o levou no ano passado à lista Forbes Under 30, da Revista Forbes, que destaca empreendedores até 30 anos cujos trabalhos surgem como algo revolucionário nos segmentos em que atuam. 

Londrina como incubadora 

Barboza pensava em ser pesquisador, e não empreendedor. Aos 17 anos, se viu como um dos representantes da delegação brasileira participante da edição de 2018 da ISEF, maior feira de ciências e engenharia pré-universitária do mundo, realizada pela Society for Science. Foi a Sociedade Rural do Paraná (SRP) que, na volta ao Brasil, identificou uma oportunidade de mercado.

“Um dos diretores da Sociedade Rural do Paraná fez um convite para que eu transformasse a pesquisa em uma startup”, recorda. Barboza disse não, porque queria primeiro concluir a graduação em Agronomia. Porém, a insistência do diretor e o apoio da família o levaram a criar a Dioxd, que passou por processo de aceleração via SRP. Refinou o trabalho via mentorias no ambiente da Agro Valley, em Londrina, e fez da ideia um negócio. “Fui picado pelo bichinho do empreendedorismo”, brinca. 

Três anos com a aceleradora Ciklo Agritech em Luís Eduardo Magalhães (BA) lhe permitiram aplicar a tecnologia em grandes propriedades. No fim de 2019, apresentou a metodologia a cerca de 20 fundos de investimento. Dois dos principais do setor, o GR8 Ventures e o Agroven, injetaram R$ 1,3 milhão no projeto. “Com o recurso, conseguimos seguir três, quatro anos de expansão, crescendo a média de 500 % ao ano”, comemora. 

Pai e mãe ajudam na operação da startup

Hoje, Barboza lidera uma operação enxuta, com sete pessoas dedicadas integralmente à Dioxd, incluindo o pai, que comanda o comercial da regional de Londrina, e a mãe, gerente administrativa. Outros setores são terceirizados, como o jurídico e o contábil. O jovem segue à frente também das pesquisas: suas ideias e ensaios são testados por um laboratório. Com os resultados, a Dioxd então apresenta ao mercado. 

O planejamento para 2026 inclui a entrada em mercados como o vizinho Paraguai e os Estados Unidos – com o licenciamento da metodologia –, e já existem conversas com outros países. Ainda para este ano, quer avançar pelo Brasil por meio de cooperativas, revendas e sementeiras. “Queremos nos tornar uma referência nacional em tratamento de sementes com inovação e tecnologia”, projeta. 

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Corinthia Mes

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