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'Não estamos fazendo loucura', diz CEO do Bradesco sobre carteira de crédito | Finanças

‘Não estamos fazendo loucura’, diz CEO do Bradesco sobre carteira de crédito | Finanças

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Diante do cenário de elevado comprometimento de renda das famílias no Brasil, o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou que o banco não está “fazendo loucura” em relação à sua carteira. Segundo ele, o banco está crescendo em linhas colateralizadas (com garantia) e reduzindo exposição em linhas de crédito sem garantia.

“A gente está crescendo em linhas colateralizadas. Então, onde é que a gente cresce na pessoa física? Cresce em consignado”, afirmou em entrevista coletiva sobre os resultados do banco no segundo trimestre. “A gente não está fazendo loucura. A gente está reduzindo crédito pessoal e fazendo colateralizado.”

Em relação ao agronegócio, Noronha afirmou que vê um “ciclo ainda difícil”. “A gente tem um mercado um pouco pior, mas é um mercado em que a gente acredita muito. A gente vê muita chance de recuperação, de crescimento.”

Hoje, segundo Noronha, a inadimplência está mais pressionada no rural, incluindo o Banco John Deere, e nas linhas com garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO) e do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI). Em relação às linhas com FGO e FGI, o banco está “tranquilo”, afirmou o CEO, visto que não geram alta nas provisões. “Dentro do rural, especialmente dentro do John Deere, continua pressionando, mas comparado com o mercado anda muito bem.”

Durante a entrevista coletiva, Noronha disse ter uma “crença absoluta” de que o banco vai atingir todas as linhas do seu “guidance” (projeções) este ano. No primeiro semestre, a única que ficou fora foi o crescimento da carteira, que está acima do esperado, mas deve desacelerar para dentro da faixa estimada.

Questionado sobre se as outras linhas também devem ficar na parte de cima do “guidance”, ele disse: “se Deus quiser, é para isso que a gente trabalha”.

Noronha também comentou sobre uma eventual participação do Bradesco em alguns programas governamentais que o setor bancário tem mostrado resistência em aderir. Sobre o Move Brasil, que inclui crédito automotivo para motoristas de aplicativo, ele disse que o banco está “fazendo um esforço” para tentar participar. “Existem desafios operacionais. É uma linha que usa Finame, FGO para produção de CDC. Estamos trabalhando.”

Já sobre o Desenrola Adimplentes, ele afirmou que o Bradesco “está mais distante”, tanto por conta de “crença” quanto por dificuldade de identificar o público elegível, que depende se uma série de critérios de renda e outras variáveis.

O executivo também comentou brevemente sobre as eleições. Segundo ele, há a expectativa de que depois do pleito, seja quem for o vencedor, será preciso fazer um trabalho para a política fiscal para os próximos quatro anos. “Tem de fazer o ajuste fiscal.”

Noronha ainda falou sobre o valor de mercado do Bradesco que, segundo ele, está muito descontado. Ele lembrou que o banco desmembrou a operação de saúde, criando a BradSaúde, mas que ainda assim o valuation do banco não subiu na mesma proporção. “Nossa ação está super descontada, eu acho que é um bom negócio comprar nosso papel”, comentou, se referindo ainda ao aumento de capital de R$ 10 bilhões que o banco anunciou recentemente.

Sobre o impacto do fenômeno climático El Niño, o Bradesco aposta na diversificação e no resseguro. “Então, o impacto na área de seguros a gente crê que vai ser plenamente dentro da nossa expectativa”, afirmou Ney Dias, CEO da Bradesco Seguros. “A gente não espera um aumento sensível de sinistralidade.”

Marcelo Noronha, CEO do Bradesco. — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

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Corinthia Mes

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