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Homens de um bairro informal de Joanesburgo se reúnem em rodas de conversa e treinamentos organizados pelo grupo Father A Nation para discutir masculinidade e prevenir violência contra mulheres. As atividades ocorrem em Organic Market, perto da township de Alexandra, e foram registradas em reportagem da BBC.
O movimento ganha força em um momento de crescente comoção pública na África do Sul, após a descoberta de 12 corpos de mulheres em Ekurhuleni e dados oficiais que mostram números elevados de homicídios e agressões contra mulheres.
No encontro, homens partilham experiências e responsabilizam-se por comportamentos violentos. Um participante identificado como Kgomotso Mathekga disse que já presenciou agressões frequentes e reconheceu ter, em um episódio, agarrado e dado um tapa em sua namorada; ele afirmou que perdeu contato com o filho após o término do relacionamento.
Itumeleng Stephen Tamaga, conhecido localmente como Bra Steve e descrito na reportagem como organizador do Father A Nation na área, convocou os presentes à ação: “Nós somos homens!” e encorajou a união para combater a violência de gênero e o feminicídio. Craig Wilkinson, fundador do grupo, explicou que as atividades combinam conversa, processamento de emoções e treinamento em “masculinidade positiva” para tentar reduzir a violência.
Segundo a South African Human Rights Commission, entre abril e junho deste ano foram assassinadas 5.427 pessoas no país; desse total, 569 eram mulheres — uma média apontada pela comissão de cerca de seis mulheres mortas por dia — e 1.052 sobreviveram a tentativas de homicídio. A Human Sciences Research Council (HSRC) publicou em 2022 relatório citado pela reportagem indicando que mais de 35% das mulheres sul-africanas experienciaram violência física ou sexual, muitas vezes por parceiros íntimos.
A descoberta recente das vítimas em Ekurhuleni reavivou o medo entre moradoras do bairro. Em depoimentos à BBC, mulheres disseram evitar deslocamentos a pé e preferir serviços de transporte por aplicativo por sentirem maior segurança. Uma cabeleireira identificada como Providence Maseko afirmou sentir desconfiança generalizada sobre quem confiar nas ruas.
Father A Nation atua em várias regiões da África do Sul com programas em escolas e faculdades voltados ao ensino de práticas de masculinidade não violenta. Integrantes do grupo, como Zizipho Mtwesi, citado como coordenador do projeto, afirmam que é necessário alcançar homens antes que ocorram crimes mais graves e que cada homem precisa assumir papel ativo na prevenção.
Os encontros no bairro foram descritos pelos participantes como tentativas de criar novos modelos de comportamento, diante da ausência de referências masculinas positivas em muitas famílias locais, segundo a BBC.