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Parlamentares da oposição foram detidos temporariamente nesta terça-feira (6 de outubro de 2026) enquanto tentavam marchar até a sede da Comissão Eleitoral em Nova Délhi, exigindo a renúncia do chefe da comissão, Gyanesh Kumar, por conta de uma revisão controversa do cadastro eleitoral.
Entre os detidos estiveram o líder da oposição na câmara baixa, Rahul Gandhi, e sua irmã Priyanka Gandhi; ambos foram colocados em um ônibus policial e libertados pouco depois. Após a liberação, os parlamentares retomaram a marcha e iniciaram um ato de presença (sit-in) nas proximidades do prédio da Comissão Eleitoral, informou a BBC.
Segundo o Additional Deputy Commissioner of Police Manjeet Sheoran, em declaração à BBC, “alguns dos MPs tentaram tomar outras rotas até o prédio da Comissão Eleitoral. Temos oficiais posicionados em vários pontos, de onde os manifestantes foram recolhidos em ônibus e levados a diferentes delegacias”. A polícia não divulgou o número de parlamentares detidos; a oposição afirmou que 237 deputados de diversos partidos participaram da marcha.
A mobilização é parte de uma reação crescente contra o exercício chamado Special Intensive Revision (SIR) dos listas eleitorais, iniciado em junho de 2025 no estado de Bihar e depois ampliado. A Comissão Eleitoral diz que a revisão visa eliminar duplicidades e eleitores inelegíveis; mais de 130 milhões de nomes foram removidos das listas provisórias, segundo a BBC.
Tanto o BJP quanto a própria Comissão Eleitoral rejeitaram essa acusação, segundo a BBC.
A campanha contra Gyanesh Kumar ganhou força após reportagem do jornal Indian Express, citada pela BBC, que afirmou que os comissários eleitorais Sukhbir Singh Sandhu e Vivek Joshi haviam registrado formalmente ao menos 14 objeções ao longo de 10 meses contra decisões que teriam sido tomadas em nome da Comissão sem o conhecimento deles. As objeções incluíam adições e exclusões de eleitores, acesso ao banco de dados e segurança de dados eleitorais.
A Comissão Eleitoral defendeu seu processo de decisão, afirmando que divergências fazem parte do funcionamento institucional e que as decisões foram tomadas por unanimidade. A controvérsia também chegou à Supreme Corte da Índia, que pediu respostas do governo federal e da Comissão Eleitoral a uma petição que alega que Kumar tomou decisões sem a aprovação dos outros dois comissários. O tribunal sugeriu que decisões deveriam ser tomadas por unanimidade ou por maioria e declarou que poderia anular atos que tenham burlado esse processo, mas recusou suspender Kumar por ora, aguardando as respostas e a análise dos registros relevantes.
O presidente do partido Congress, Mallikarjun Kharge, definiu três exigências como “não negociáveis”: a renúncia de Gyanesh Kumar, o cancelamento do exercício SIR e o retorno ao voto em papel. Em tom crítico, Rahul Gandhi tuitou que é hora de o chefe renunciar. Do lado do governo, o BJP criticou os protestos: o deputado Sambit Patra os descreveu como uma “tentativa patrocinada” de promover mudança de poder por meio da “anarquia”, segundo a BBC.
A BBC informou que entrou em contato com a Comissão Eleitoral para comentar o protesto de terça-feira.