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Conhecido como “João Sem Medo”, Saldanha era técnico da seleção brasileira e classificou o Brasil para a Copa de 1970 e foi afastado da equipe a poucos meses do início da competição.
Na época, João era cronista esportivo, jornalista e militante político. Considerado um dos homens mais inteligentes do meio esportivo nacional, se destacou como treinador do Botafogo. Com o grande talento, logo foi contratado para estar à frente da seleção brasileira de futebol, que se preparava para a Copa do Mundo de Futebol de 1970.
Ao ver que Emílio Garrastazu Médici, presidente do país na época, queria usar a seleção brasileira para propaganda política, Saldanha passou a expressar o descontentamento com o cargo e a possível instrumentalização do futebol para legitimar o governo autoritário. A gota d’água em sua paciência ocorreu quando o presidente mandou os cartolas o avisarem de que ele deveria convocar o jogador Dário para a Copa de 1970. Eis que Saldanha, inconformado com a tentativa de intervenção respondeu: “O Brasil tem 80 ou 90 milhões de torcedores, gente que gosta de futebol. É um direito que todos têm. Aliás, eu e o presidente, ou o presidente e eu, temos muita coisa em comum… somos gaúchos, somos gremistas e gostamos de futebol… e nem eu escalo ministério, nem o presidente escala time. Você está vendo que nos entendemos muito bem”. O técnico foi afastado e não participou da Copa de 1970. Apesar de ter realizado todo o trabalho para levar a seleção à competição.
Após o ocorrido, João Sem Medo nunca mais se calou, chegou a levar ao México documentos que denunciavam torturas e irregularidades cometidas pelo Governo Federal Brasileiro. Muito conhecido internacionalmente e amado pela população, Saldanha foi um homem que os ditadores nunca conseguiram calar.
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