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A etapa paranaense do movimento Acorda Brasil terminou na última quinta-feira (19), quando a caminhada em defesa da anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chegou à divisa com São Paulo para a entrega simbólica de bandeiras.
Após percorrer cerca de 180 quilômetros pelo Paraná, o grupo entregou a mobilização aos organizadores paulistas, que decidiram mudar a estratégia. Em vez de repetir a caminhada pelas rodovias, a nova fase prevê um “esquenta São Paulo” com concentração fixa em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), na Avenida Paulista, com atos diários até a manifestação marcada para 1º de março.
+ Leia mais: Na BR-277, Cristina Graeml comanda caminhada “Acorda Brasil” Paraná
A etapa paranaense foi conduzida pelo deputado estadual Delegado Tito Barichello (União Brasil-PR), pela jornalista e pré-candidata ao Senado Cristina Graeml (União Brasil-PR) e pela vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (União Brasil-PR).
Na divisa com São Paulo, as bandeiras do Brasil e dos três estados do Sul — assinadas pelas lideranças que conduziram a Caminhada pela Liberdade na região — foram entregues ao escritor e palestrante paulista Pedro Poncio, conhecido nas redes sociais como “ex-sem terra”. Ele ficará responsável por repassá-las ao deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos-SP), que deverá entregá-las ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) durante o ato marcado para 1º de março, na Avenida Paulista.
O percurso no Paraná começou no litoral, em Balneário Coroados, passando por Guaratuba, Matinhos, Pontal do Paraná, Paranaguá e Morretes. Por questões de segurança, a subida da Serra do Mar foi feita com apoio logístico de motociclistas pela Estrada da Graciosa. Depois, o grupo seguiu pela BR-116 até a divisa com São Paulo.
De acordo com o deputado estadual Delegado Tito Barichello, a caminhada durou seis dias, com média de oito horas diárias sob temperaturas que chegaram a 35 °C. “Foi uma caminhada difícil, mas com muita adesão popular. Caminhoneiros buzinavam, pessoas caminhavam alguns quilômetros conosco e levavam água e alimentos”, relatou à Gazeta do Povo.
O deputado disse que o foco foi “plantar uma semente de mobilização e conscientização” em defesa da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, além de críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com Cristina Graeml, o objetivo da caminhada foi alcançado, já que o Sul do país demonstrou que não vai mais permanecer calado diante dos abusos de autoridade do STF e das prisões políticas. “Não tem preço a alegria de ver tanta gente abrindo mão do feriado para participar espontaneamente da caminhada, engrossar o coro por liberdade para os inocentes acusados de um crime inexistente e ser parte da mudança que queremos ver no Brasil”, acrescentou.
O movimento Acorda Brasil no Sul foi inspirado na “Caminhada da Liberdade”, idealizada por Nikolas Ferreira, que percorreu mais de 250 quilômetros entre Minas Gerais e Brasília.
No Rio Grande do Sul, a mobilização começou com o deputado estadual Capitão Martim (Republicanos-RS), em trajeto entre Porto Alegre e a divisa com Santa Catarina. Em território catarinense, a coordenação ficou a cargo de Sargento Lima (PL-SC), entre Joinville e Itapoá.
Além da defesa da anistia e da revogação do veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria, o movimento passou a incorporar pautas ligadas às eleições de 2026, com ênfase na renovação do Senado e na formação de maioria conservadora. Entre as reivindicações estão ainda propostas relacionadas à segurança pública, liberdade econômica e redução da carga tributária.
Diferentemente do que ocorreu nos três estados do Sul, São Paulo não terá caminhada pelas rodovias. De acordo com Pedro Poncio, a decisão foi tomada por questões de segurança e estratégia.
“Entendemos que o propósito da caminhada, que era despertar a nação, foi cumprido. Agora começamos um ‘esquenta São Paulo’, concentrando energia na preparação para o ato do dia 1º de março”, afirmou à Gazeta do Povo.
Desde a sexta-feira (20), o grupo mantém mobilização diária em frente ao Masp, das 10h às 20h, com distribuição de panfletos e adesivos, buzinaços e vigílias de oração à noite.
O ato principal está marcado para 1º de março, às 14h, na Avenida Paulista. A organização afirma que as bandeiras que percorreram os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná será entregue simbolicamente a Nikolas Ferreira no palco do evento.
A mobilização, que é nacional, será contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).