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Quem passa pelos viadutos e passarelas de Ubiratã talvez não perceba, mas nos últimos meses equipes de engenharia têm trabalhado silenciosamente em algo que pode fazer muita diferença para a segurança da cidade nos próximos anos.
A Prefeitura Municipal iniciou um programa de inspeção e reforço estrutural nas principais obras de concreto do município — e uma das apostas técnicas do projeto é o uso de fibra de carbono, material que até pouco tempo atrás era quase exclusividade de grandes capitais e obras de infraestrutura de escala nacional, nosso departamento de Obras, consultou a RFS Engenharia sobre Reforço Estrutural de Fibra de Carbono para os principais viadutos da cidade.
A tecnologia funciona assim: mantas ou laminados de fibra de carbono são colados diretamente sobre a superfície do concreto com resinas de alta aderência. Depois de curado, o material forma uma camada extremamente resistente, capaz de absorver esforços adicionais sem alterar praticamente nada na aparência ou no funcionamento original da estrutura.
Estruturas de concreto envelhecem. Isso é inevitável. Variações de temperatura, chuva, sobrecarga de tráfego — especialmente de veículos pesados — e infiltrações vão, ao longo dos anos, abrindo microfissuras, corroendo armaduras e reduzindo a resistência que a obra tinha quando foi entregue.
O problema é que, quando os sinais aparecem de forma visível, o estrago costuma já ser considerável. E obras emergenciais saem muito mais caras do que intervenções planejadas.
Foi com essa lógica que a prefeitura decidiu antecipar o processo, mapeando o estado real das estruturas antes que qualquer problema se agrave. As inspeções cobrem viadutos, pontes urbanas e passagens elevadas, e avaliam desde o estado das juntas de dilatação até a integridade das armaduras internas.
Comparada aos métodos tradicionais de reforço — que frequentemente envolvem demolições parciais, adição de elementos metálicos pesados ou até reconstruções —, a fibra de carbono tem algumas vantagens práticas bastante concretas.
A aplicação é mais rápida, a interferência na estrutura é mínima e o peso adicionado é praticamente irrelevante. Para obras em áreas de trânsito intenso, isso significa menos tempo de interdição e menos dor de cabeça para quem usa a via diariamente.
Além do ganho imediato de resistência, o reforço bem executado pode estender a vida útil de uma estrutura por décadas.
Há alguns anos, falar em fibra de carbono para obras públicas em cidades do interior soaria como exagero. O custo era alto, a mão de obra especializada escassa e a tecnologia ainda restrita a projetos de grande porte.
Esse cenário mudou. Com a disseminação das técnicas de aplicação e a redução gradual dos custos, municípios menores passaram a ter acesso real a esse tipo de solução. Ubiratã é um exemplo dessa mudança.
Para além do reforço imediato nas estruturas, o programa prevê também a elaboração de relatórios técnicos detalhados — o que, na prática, significa que a cidade vai começar a ter um histórico documental das suas obras públicas. Algo que facilita muito as decisões de manutenção no futuro e evita que cada nova gestão comece do zero na hora de planejar intervenções.
As avaliações seguem em andamento. A expectativa é que, concluído o levantamento, a prefeitura tenha um panorama claro de prioridades e possa programar as próximas etapas com mais precisão — e, principalmente, antes que qualquer estrutura apresente risco real à população.
Fábio Augusto Celestino Redator e Diretor do Ubiratã Online News Com mais de uma década e meia dedicada ao jornalismo local, Fábio fundou e dirige o Ubiratã Online News desde 2009. É referência em comunicação digital na região, tendo como missão diária entregar aos leitores informações apuradas com seriedade, responsabilidade e agilidade.