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O Centro de Curitiba lidera o ranking dos bairros com maior número de ocorrências na capital no primeiro trimestre de 2026. Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp-PR) mostram que a região concentrou cerca de 4,1 mil registros entre janeiro e março deste ano, volume quase 60% superior ao da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), segunda colocada, com aproximadamente 2,6 mil ocorrências.
Ao todo, Curitiba somou cerca de 39,9 mil registros no período — um aumento em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando foram notificadas 36,6 mil ocorrências. O número atual corresponde a mais de 21% de todos os crimes registrados no Paraná nos três primeiros meses de 2026.
A Sesp-PR ressalta que a análise deve considerar os tipos de crime de forma isolada, já que naturezas penais como furtos, estelionatos, ameaças e homicídios possuem dinâmicas distintas e impactos diferentes na sociedade.
A liderança do Centro no volume geral é impulsionada por crimes contra o patrimônio. Entre janeiro e março de 2026, a região registrou 1,6 mil furtos simples, 966 estelionatos e 332 furtos qualificados. A Sesp-PR explica que a forte concentração de comércio, serviços, agências bancárias e órgãos públicos, combinada à grande circulação diária de pedestres, atua como fator estrutural para o elevado índice de ocorrências na área central.
Confira os dez bairros de Curitiba com maior registro de crimes:
Os dados revelam perfis criminais distintos na cidade. Enquanto o Centro, o Água Verde e o Portão concentram principalmente furtos e estelionatos, bairros mais populosos como a CIC, o Sítio Cercado, o Cajuru e o Tatuquara aparecem no topo dos registros de mortes violentas intencionais.
No primeiro trimestre, Curitiba teve 69 mortes violentas. A CIC liderou com 11 casos, seguida pelo Sítio Cercado (8) e Cajuru (6). O Centro registrou quatro mortes no período. Em contrapartida, os menores índices de criminalidade ocorreram em áreas residenciais de baixa circulação, como o Cascatinha (34 ocorrências) e o São João (36).
No cenário geral das naturezas penais na capital, os estelionatos somaram 12,5 mil casos, superando os 12 mil furtos. O balanço do trimestre também inclui 3,1 mil ameaças, 2,2 mil lesões corporais e 1,2 mil roubos.
As ocorrências se concentram majoritariamente no período diurno, tendo a tarde como o horário de maior incidência (14,3 mil registros), seguida pela manhã (10,6 mil). O horário de pico é às 10h, e a sexta-feira é o dia da semana com mais notificações (6,4 mil).
Representantes do setor produtivo apontam que os indicadores estatísticos refletem uma mudança na rotina da região central. O presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Paulo Mourão, afirma que os comerciantes locais relatam uma piora na sensação de segurança, especialmente após a pandemia.
Segundo Mourão, além dos furtos tradicionais em estabelecimentos e de veículos, houve um crescimento de pequenos delitos recorrentes, arrombamentos, crimes de oportunidade e abordagens intimidadoras a funcionários e clientes. Para a ACP, o impacto da criminalidade afeta diretamente a atividade econômica do Centro, pois afasta o público e exige investimentos extras em monitoramento privado e segurança.
“O efeito mais sensível é a perda da sensação de segurança. Quando isso acontece, o consumidor muda hábitos, evita horários e regiões, e isso afeta toda a cadeia econômica do Centro”, avalia Paulo Mourão.
A entidade defende que a revitalização da área central depende de ações coordenadas que incluam maior policiamento ostensivo, ampliação de câmeras integradas, melhoria da iluminação pública e medidas de zeladoria urbana.
Para especialistas em segurança, os números de Curitiba mostram a divisão entre crimes patrimoniais e crimes violentos nas diferentes regiões da cidade.
Silvio Arcuri, advogado e professor de Ciências Criminais da Universidade Positivo, explica que o crescimento urbano historicamente desloca os crimes violentos para as periferias, impulsionados por disputas territoriais de grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas. Por outro lado, as áreas centrais atraem furtos e roubos devido ao fluxo comercial massivo.
Arcuri também destaca que a explosão no número de estelionatos — que superou o de furtos na capital — reflete a migração de organizações criminosas para o ambiente virtual.
“O crescimento dos estelionatos está diretamente ligado ao avanço da criminalidade no ambiente digital, que ampliou a atuação de golpistas, muitas vezes fora do estado e até do país”, explica Silvio Arcuri.
Em nota oficial, a Sesp-PR informou que o Paraná mantém uma tendência de queda nos principais indicadores de criminalidade pelo terceiro ano consecutivo. De acordo com a pasta, os homicídios recuaram 8% no primeiro quadrimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, acumulando uma redução de 40% na comparação com 2018. Já os roubos apresentaram queda de 22% em um ano e de 80% desde 2018.
Para conter os crimes no Centro de Curitiba, a secretaria afirmou que mantém reforço permanente no patrulhamento motorizado, a pé e montado, além de utilizar tecnologias como drones e câmeras integradas.
Em relação aos crimes digitais, a Sesp-PR reforçou que o estelionato é um fenômeno de escala nacional e que o estado atua no combate a essas fraudes por meio do Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos (Nuciber), da Polícia Civil. A pasta ressaltou a importância de que as vítimas de golpes e furtos registrem boletins de ocorrência e façam denúncias formais pelos canais oficiais.
Fonte do Artigo
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