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A chegada dos europeus às Américas em 1492 marcou o início de uma das épocas mais difíceis para os povos locais. Sem qualquer contato prévio com o vírus da varíola, as populações indígenas não possuíam defesas naturais, o que permitiu uma propagação rápida e letal da doença.
Este cenário de vulnerabilidade biológica resultou em um colapso populacional sem precedentes, facilitando a dominação europeia sobre grandes impérios, como os astecas e os incas. A descoberta foi detalhada em um estudo publicado na revista Science, conforme informação divulgada por pesquisadores do Trinity College de Dublin.
O trabalho científico traz luz sobre como esse patógeno, considerado uma das doenças infecciosas mais devastadoras da humanidade, alterou permanentemente o curso da história no continente americano ao dizimar cerca de 90% dos povos originários.
Os corpos analisados pertenciam a um homem e uma mulher que viviam no sul do antigo Império Inca, próximo à costa do Pacífico, no Chile. De acordo com a antropóloga biológica Constanza de la Fuente Castro, os indivíduos passaram por um processo de mumificação natural, sendo preservados em fardos funerários com tecidos de camelídeos.
A especialista ressalta que é fundamental distinguir esse processo das práticas egípcias, já que não houve intervenção química ou física nos corpos encontrados. Eles foram enterrados com objetos que acompanhavam os falecidos, mantendo vestígios biológicos essenciais para a ciência moderna.
O geneticista Bruno Romero González, autor principal do estudo, destaca que o primeiro surto documentado ocorreu na ilha de Hispaniola em 1518. A partir daí, a varíola avançou pelo continente, sendo um fator decisivo para a derrota de civilizações complexas diante das tropas de conquistadores como Francisco Pizarro.
Além da morte física de milhões de pessoas, a doença causou um trauma profundo. A rapidez com que o vírus se espalhava, manifestando febres altas e pústulas sangrentas, fez com que muitos indígenas acreditassem que seus deuses haviam abandonado a causa, gerando um desespero coletivo que enfraqueceu ainda mais a resistência local.
Segundo o geneticista Shigeki Nakagome, a varíola afetou a humanidade por milhares de anos. Estima-se que a doença tenha circulado por pelo menos 1.500 a 2.000 anos antes de ser finalmente erradicada em 1980, após uma campanha global de vacinação que salvou incontáveis vidas.
Antes de seu fim, o vírus causou epidemias repetidas em todo o planeta, sendo responsável pela morte de centenas de milhões de pessoas ao longo dos séculos. O estudo atual reforça a importância de entender a evolução desses patógenos para prevenir futuras crises sanitárias globais.
1. Como o DNA da varíola foi encontrado?
O DNA foi extraído de restos mortais de duas pessoas mumificadas naturalmente, encontradas no Chile, que carregavam o patógeno em seus tecidos.
2. Por que a varíola foi tão mortal para os indígenas?
Como os povos americanos nunca tinham tido contato com o vírus, eles não possuíam imunidade natural, o que tornou a infecção extremamente severa e fatal.
3. A varíola ajudou os espanhóis na conquista?
Sim, a doença causou um colapso populacional que facilitou a derrota de impérios como o Asteca e o Inca, além de provocar um forte abalo psicológico nas populações locais.
4. Quando a varíola foi erradicada?
A doença foi erradicada em 1980, graças a uma campanha global de vacinação bem-sucedida que eliminou o vírus da circulação humana.
5. As múmias foram mumificadas artificialmente?
Não, elas passaram por um processo de mumificação natural e foram preservadas em fardos funerários, uma prática comum na região antes da chegada dos espanhóis.