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Foi com mais emoção do que se projetava o julgamento no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) sobre a federação entre União Brasil e Progressistas. Pelo parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE), estava no horizonte a rejeição da ação da ala governista sem nem chegar à apreciação do mérito. Porém, isso não ocorreu. Por 4 votos a 2, as preliminares da cúpula da federação foram rejeitadas. Então, no mérito, o placar se inverteu. Por 4 a 2, foi confirmada a coligação da União Progressista com Ciro Gomes (PSDB). A decisão tem peso muito grande no processo eleitoral.
Uma decisão diferente teria desmontado a chapa de oposição. O candidato a vice, Roberto Cláudio, e um dos postulantes a senador, Capitão Wagner, são filiados ao União Brasil. O tempo de rádio e televisão e os recursos de campanha ficariam seriamente prejudicados. A candidatura atualmente à frente nas pesquisas ficaria inviabilizada.
Para Elmano de Freitas (PT), o mais importante não era atrair a federação, apesar do reforço no palanque. O impacto principal era o estrago à coligação adversária.
A perspectiva de sucesso da ação sempre foi reduzida, mas serviu, do lado da situação, para causar tumulto e apreensão entre os opositores.
Os últimos quatro anos na política cearense tiveram alguns enredos com jeito de disco arranhado — os mais jovens não entenderão a referência ao tempo no qual o dano no vinil fazia a música “enganchar” sem sair do lugar.
O maior disco arranhado do jogo do poder estadual nesta década foi a peleja do PDT, resolvida parcialmente com a saída do grupo de Cid Gomes, em 2024, e finalmente, com a de Ciro Gomes, em 2025.
Outro “vai não vai” foi o apoio do PL a Ciro, transformado em crise nacional com direito a vídeo de Michelle Bolsonaro.
Houve, então, a disputa pela federação. Depois de idas, vindas e ameaças, a questão foi dada como resolvida em março, depois em julho, mas agora parece ser mesmo definitiva. Em todos os momentos, diga-se, a resolução sempre foi para o lado da oposição.
Restava, até o fechamento desta coluna, a definição sobre a segunda vaga de senador na chapa governista. Nesta quarta-feira, 5, há de sair.
Há diferentes modos de olhar para a vitória judicial de Capitão Wagner, presidente da federação, e de Ciro Gomes, cabeça da aliança oposicionista.
Por um lado, as coisas apenas permanecem como sempre se previu. Era o rumo natural e aguardado e nada mais.
Por outro lado, a coligação resistiu a várias investidas políticas pesadas e de diversas ordens. Um resultado desfavorável do julgamento do TRE-CE significaria o flerte de Ciro, sem meias palavras, com a inviabilidade.
A oposição tem motivo para comemorar. Se sair vitoriosa em outubro, o resultado terá relação com a terça-feira, 4 de agosto.
O dia em que Ciro podia ter perdido a eleição antes de a campanha começar.
A eleição no Ceará já estava polarizada entre Ciro e Elmano. A saída de Eduardo Girão (Novo), para concorrer a vice-presidente, sinaliza para resultado em primeiro turno com quase 100% de certeza. Isso significa muito mais nervosismo e menos espaço para erro.
Há outros candidatos, que merecem respeito e consideração. Mas a perspectiva de votos é muito baixa. No sábado, o Psol já havia retirado o professor Jarir Pereira. O advogado Pedro Brito, substituto de Girão no Novo, é pouco conhecido mesmo de quem acompanha política.
A eleição será plebiscitária.

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Fonte do Artigo
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