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O Pix surgiu em 2020 e rapidamente se tornou o principal meio de pagamento dos brasileiros. A tecnologia de transferências instantâneas, além de facilitar e agilizar as movimentações financeiras, acelerou a extinção de um velho conhecido: o dinheiro em papel. Pesquisa da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, aponta que 61% dos brasileiros afirmam ter abandonado ou reduzido o uso de dinheiro em espécie após a popularização do Pix.
Apesar disso, ainda há pessoas resistentes à tecnologia e que continuam utilizando cédulas para realizar pagamentos. Os relatos são mais frequentes entre idosos. Medo de golpes digitais, falta de conhecimento sobre o funcionamento da ferramenta e desconfiança em relação à efetivação das transações estão entre os principais motivos para evitar o Pix.
Moradora de Porto Alegre, Cledi Paim, de 77 anos, afirma que tem receio dos pagamentos digitais.
“Eu acho perigoso. Tenho essa coisa comigo. Eu tenho medo, sinceramente. Tem tanta coisa que acontece, tanta trapaça que fazem, que eu fico desconfiada.”
A preferência por pagar contas diretamente no caixa eletrônico, utilizando dinheiro em espécie, também tem outro motivo. “Eu vou pagar no banco. Prefiro porque assim até é bom, eu saio um pouco. Senão, vou ficar só em casa.”
A dona de casa conta que, quando precisa fazer uma transferência eletrônica ou não pode ir ao banco, pede para o filho realizar o Pix. Apesar da resistência ao sistema de pagamentos instantâneos, ela utiliza o cartão de débito sem medo e não encontra dificuldades para pagar as compras do dia a dia. “Só se acabarem com o dinheiro, daí sim”, brinca.
Uso do Pix ainda enfrenta resistência entre idosos
| Foto: Alina Souza
O aposentado Alexandre Duarte, de 77 anos, também mantém o hábito de usar dinheiro em espécie. Para pagar as contas, ele imprime os boletos em uma loja de fotocópias próxima de casa.
“Depois vou na lotérica, pago diretamente no sistema e pego um comprovante. Não fico com dúvida. Fico mais tranquilo assim, porque tenho como comprovar. Vejo o retorno diretamente na minha mão.”
Alexandre afirma que conhece o Pix, mas diz que a falta de materialidade das transações o deixa desconfiado. “Talvez não seja perigoso, mas eu acho que é. Não tenho como comprovar que o pagamento foi aceito, que foi pago. Quando minha mulher faz um Pix, temos que escrever no papel ‘pago’, porque não tem nada que comprove.”
Também morador de Porto Alegre, Jorge Mello, de 64 anos, já substituiu o dinheiro físico pelo cartão de débito, mas tem dificuldade de aprender como se faz uma transferência por Pix.
“Eu conheço o Pix, mas não sei fazer o procedimento. Quem faz para mim é o meu filho.”
Uso do Pix ainda enfrenta resistência entre idosos.
| Foto: Alina Souza
Alexandre, Cledi e Jorge fazem parte dos 18% dos brasileiros que afirmam não utilizar o Pix para transferências e pagamentos. Pesquisa Ipsos-Ipec, realizada em junho, revelou que 82% da população brasileira utiliza o sistema. A aprovação é ainda maior: 93% dos entrevistados avaliam positivamente a ferramenta.
Outro levantamento, da Serasa, mostrou que 28% dos entrevistados reduziram o uso de boletos bancários e 17% passaram a utilizar menos o cartão de débito físico após a popularização do Pix.
“A gente entendeu que o brasileiro está cada vez mais integrado às tecnologias. O Pix acabou se tornando uma das formas de pagamento mais utilizadas pelas pessoas”, afirma a educadora financeira da Serasa, Karla Pontes.
Segundo ela, a resistência ao sistema está ligada principalmente à falta de familiaridade com a tecnologia.
“A gente consegue associar isso, principalmente, à falta de costume com o uso de celulares e da tecnologia. Notamos que a maioria dessas pessoas ainda prefere o dinheiro físico porque se sente mais segura com as cédulas em mãos. Como muitas vezes não há familiaridade com aparelhos celulares ou aplicativos bancários, esse público acaba utilizando mais o dinheiro em espécie.”
Uso do Pix ainda enfrenta resistência entre idosos
| Foto: Alina Souza
Criado pelo Banco Central, o Pix entrou em operação em novembro de 2020. Desde então, o sistema vem passando por aperfeiçoamentos para ampliar a segurança das transações e oferecer novas funcionalidades. A principal vantagem é que os pagamentos são concluídos em poucos segundos, a qualquer dia e horário.
“Os consumidores podem ficar tranquilos quanto a segurança, mas é muito importante que tenham cuidado e certeza das transações que estão fazendo, para quem estão enviando aquele valor. Esse cuidado precisa partir muito mais do consumidor do que da plataforma ou do serviço em si”, afirma Karla.
Uso do Pix, sistema de pagamento instantâneo do Banco Central do Brasil.
| Foto: Alina Souza
A pesquisa Ipsos-Ipec também mostrou que o uso do Pix diminui conforme aumenta a faixa etária. Entre pessoas de 35 a 44 anos, a adesão chega a 90%. Na faixa de 45 a 59 anos, o índice é de 81%. Já entre aqueles com 60 anos ou mais, apenas 48% utilizam o sistema de pagamentos instantâneos.
A renda familiar também influencia a adesão à tecnologia. Cerca de 70% das pessoas que recebem até um salário mínimo utilizam o Pix, percentual que sobe para 95% entre quem ganha mais de cinco salários mínimos.
A recomendação da educadora financeira é buscar informações sobre o funcionamento da ferramenta.
“A tecnologia veio para otimizar a utilização dos meios de pagamento. Ela traz mais comodidade, praticidade e rapidez. Tudo é feito na hora, de forma online, facilitando o reconhecimento imediato do pagamento. A tecnologia veio para ajudar.”
Outro benefício apontado por Karla é o maior controle das finanças pessoais. “É importante acompanhar quanto está gastando, separar os valores que pode utilizar, manter uma reserva de emergência e nunca gastar mais do que ganha. São regras básicas que ajudam no dia a dia, fortalecem a educação financeira e evitam a inadimplência.”
No site do Banco Central há informações detalhadas sobre o funcionamento e a segurança do Pix.
Uso do Pix ainda enfrenta resistência entre idosos
| Foto: Alina Souza
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Fonte do Artigo
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