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O número oficial de mortos nas enchentes devastadoras que atingiram o Nepal na fronteira com o Tibete ultrapassou 1.000, segundo a agência nacional de desastres.
Mais de 3.900 pessoas continuam desaparecidas, incluindo cerca de 600 trabalhadores que se acredita estarem presos em uma extensa rede de túneis repletos de lama, em locais de hidrelétricas ao longo do rio Trishuli. Engenheiros têm bombeado ar para dentro dos túneis, porém uma equipe que conseguiu entrar em um deles não encontrou ninguém e precisou se retirar.
Até segunda-feira, 279 pessoas foram resgatadas dos locais afetados, informou o primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah. A operação de resgate é liderada por uma equipe internacional composta por militares chineses e nepaleses, com apoio de especialistas da Índia, Coreia e Austrália.
Familiares dos desaparecidos mantêm esperança, apesar dos desafios enfrentados. Sita Pandey, esposa de um engenheiro que trabalhava na hidrelétrica atingida, declarou que ainda tem 50% de chance de seu marido estar vivo, devido à existência de sistemas de oxigênio no interior dos túneis.
As operações de resgate enfrentam dificuldades extremas, incluindo a destruição do terreno pelas enchentes e o bloqueio por grandes blocos de pedra, como explicou Arnold Dix, engenheiro australiano que auxilia remotamente as buscas. Ele descreveu o cenário como um “paisagem lunar” e ressaltou a complexidade incomum da operação, que inclui escavar e explodir grandes rochas para acessar os túneis.
A operação também é marcada pela frustração das famílias. Jiban Khadka, parente de um trabalhador preso, afirmou que o processo é muito lento e que cada segundo é crucial para salvar vidas.
Até o momento, apenas 4% dos cerca de 900 corpos encontrados foram identificados, conforme comunicado do Ministério da Saúde nepali. Em Chitwan, distrito afetado a jusante, enterros provisórios estão sendo realizados devido à sobrecarga das instalações, e autoridades realizam extracção de DNA para possibilitar a posterior identificação dos mortos.
Nas áreas vizinhas do Tibete, onde o desastre também impactou, autoridades chinesas reportam 16 mortos e 546 desaparecidos oficialmente, com forte censura à divulgação de imagens e informações sobre as enchentes no território chinês.
O primeiro-ministro Balendra Shah chamou atenção para o aumento dos riscos de desastres na região do Himalaia em decorrência das mudanças climáticas e pediu maior envolvimento da comunidade internacional para enfrentar esses desafios.