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ONU alerta para El Niño ‘supersized’ que pode durar até pelo menos fevereiro de 2027

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WMO diz que evento pode ser o mais forte em mais de 70 anos; Temperatures do Pacific estão muito acima da média e países intensificam preparativos

A comunidade internacional foi alertada para um El Niño excepcionalmente forte, que pode perdurar até pelo menos fevereiro de 2027, segundo dados divulgados pela Organização Meteorological Mundial (WMO) e cobertos pela BBC. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que o fenômeno está a tornar-se "supersized" e que o planeta navega em "águas desconhecidas" aquecidas.

Dados oceânicos e intensidade prevista

Segundo a cobertura da BBC baseada nos dados da WMO, as Temperatures da superfície do mar na região central e oriental do Pacific tropical têm ficado bem mais de 2°C acima da média nas últimas semanas — nível que já coloca o evento na categoria de "muito forte". Previsões citadas pela reportagem indicam que as anomalias mensais da superfície podem chegar perto de 4°C acima da média em pontos, o que tornaria este El Niño possivelmente o mais intenso desde pelo menos 1950.

As anomalias de temperatura abaixo da superfície no Pacific também são excepcionais, em alguns locais mais de 8°C acima do normal, conforme os mesmos dados citados pela BBC.

Riscos regionais e exemplos citados

O fenômeno altera padrões de chuva globalmente: a reportagem menciona previsão de secas em grande parte do Sudeste Asiático, América Central e partes do Norte da América do Sul, e condições mais úmidas em porções da África Oriental, do sul do Brasil e do sul dos Estados Unidos.

Exemplos levantados pela BBC incluem:

  • Indonésia: mais de 107.000 hectares queimados nesta estação seca; autoridades têm usado aeronaves para semear nuvens na tentativa de provocar chuva.
  • China: o país enfrentou vários tufões — em julho, Bavi, Noul e Maysak — e evacuou mais de um milhão de pessoas em agosto por causa do tufão Dolphin; especialistas chineses associam aumento de tufões à influência de um El Niño forte.
  • Peru e Equador: trechos da costa do Pacific, historicamente vulneráveis ao El Niño, podem sofrer inundações e deslizamentos em áreas urbanas com drenagem limitada.
  • Canal do Panamá: a reportagem informou que o tráfego pelo canal deve ser reduzido em mais de 10% em antecipação à menor chuva, medida que afeta comércio e receita do país.

Preparação, mobilização e incertezas

Governos e organizações reportaram fortalecimento de sistemas de alerta precoce e mobilização de assistência médica prévia a eventos extremos. A BBC citou também iniciativas australianas de alerta para crises marinhas e medidas de monitoramento aumentadas para recifes e pesca.

O pesquisador Alistair Hobday, citado pela reportagem como chefe de pesquisa de uma agência científica Australian, alertou para consequências em ecossistemas marinhos e para impactos regionais já observados em eventos anteriores. Miguel Aréstegui, líder de resiliência climática na organização Practical Action, ressaltou que a preocupação precisa se traduzir em preparação prática, lembrando que fatores estruturais — como habitação em áreas expostas e sistemas de saneamento frágeis — agravam os efeitos quando o El Niño chega.

A reportagem também registrou que, no fim do mês anterior, os Estados Unidos anunciaram o envio do navio-hospital USNS Comfort à costa do Peru para oferecer assistência médica e equipamento técnico quando o El Niño atingir seu pico.

O que permanece incerto

Em suas declarações citadas pela BBC, Celeste Saulo, secretária-geral da WMO, afirmou que o El Niño "tem o potencial de provocar um golpe massivo a comunidades e economias".

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fabioaugusto
REDAÇÃO: UBIRATÃ ONLINE - FÁBIO AUGUSTO CELESTINO

Desde 2003 trabalhando com notícias.

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