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Mais de 80 pessoas foram mortas entre outubro de 2025 e julho de 2026 após acusações de que estranhos estariam fazendo os genitais de homens encolherem ou desaparecerem ao tocar-lhes o ombro, aponta investigação da BBC Global Disinformation Unit.
Os boatos se espalharam por vídeos e mensagens em plataformas como TikTok e Facebook, e desencadearam uma onda de violência em vários países do sul e leste da África.
Outra testemunha, o fotógrafo e empresário Michael Silavwe, descreveu ter visto um homem ser espancado e posteriormente incendiado em Tunduma; um vídeo verificado pela BBC desse ataque foi visto mais de 100 mil vezes no TikTok e no Facebook.
A reportagem também verificou registros de agressões e linchamentos relacionados aos boatos em Moçambique, Quênia, Malawi, Zâmbia, Angola, Burundi e Republic Democratic do Congo, onde a onda parece ter começado no ano anterior, com relatos semelhantes já ocorridos em 2008.
A BBC identificou centenas de vídeos, relatos em primeira pessoa e postagens que alertavam sobre episódios de 'roubo de genitais' e mostravam reações de multidões. Especialistas citados na reportagem afirmam que a circulação de Images e depoimentos em tempo real torna as alegações não verificadas mais críveis e acelera a difusão do pânico.
No Quênia, incidentes em julho em Kwale e Mombasa deixaram cinco mortos, e o comissário do condado de Mombasa, Mohamed Noor, atribuiu parte da disseminação às publicações de criadores de conteúdo que buscavam audiência. A polícia fez prisões em diferentes países; a reportagem cita, por exemplo, um pai e um filho que foram condenados a um ano de prisão após se declararem culpados de agredir uma mulher acusada de causar desaparecimento de genitais.
Na Tanzânia, o comissário do distrito de Momba, Elias Daniel Mwandobo, afirmou às autoridades locais que investigações sugeriam a existência de conluio criminoso para incitar pânico em benefício próprio, conforme relato da BBC.
Vítimas sobreviventes, como Mgala, relatam sequelas físicas e traumas psicológicos e dificuldades para retomar o trabalho; moradores também dizem viver com ansiedade mesmo após ações policiais que aumentaram patrulhas em algumas áreas.
As informações desta matéria são baseadas na investigação publicada pela BBC Global Disinformation Unit em 3 de setembro de 2026.