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Segundo o G1, a médica Carolina Fernandes Biscaia, de Pato Branco (PR), foi condenada a 11 anos e 8 meses de prisão em regime fechado por emitir laudos falsos de câncer de pele e por realizar procedimentos considerados desnecessários em pacientes. A defesa informou que pretende recorrer da decisão e a ré poderá recorrer em liberdade.
A investigação contra Carolina teve início em março de 2024, depois que pacientes passaram a suspeitar de procedimentos solicitados por ela, segundo o G1.
Ao menos 38 pessoas que se apresentaram como vítimas foram ouvidas durante as investigações; em alguns casos, a Justiça entendeu não haver provas suficientes para condenação. O prejuízo financeiro total causado às vítimas foi estimado em cerca de R$ 130,4 mil, segundo o Ministério Público citado pelo G1.
De acordo com as apurações da Polícia Civil relatadas pelo G1, a médica atuava sozinha e exercia “forte pressão psicológica” para que os procedimentos fossem realizados no consultório logo após diagnosticar, falsamente, possibilidade de câncer de pele. Ela examinava pintas e manchas, retirava material e encaminhava ao laboratório.
Em reconsulta, a investigação aponta que a ré apresentava laudos falsos indicando câncer. A perícia realizada em exames encontrados no consultório e em documentos entregues a pacientes concluiu que a falsificação era feita com máquina de xerox no próprio local: documentos verdadeiros eram colocados sob páginas falsas e, com a ajuda do equipamento, eram criadas novas versões de laudos, segundo o G1.
Uma das vítimas gravou em janeiro de 2024 um áudio em que a médica comemorou a retirada de um suposto melanoma. Na gravação, transcrita pelo G1, Carolina diz: “Não sei se você é católica ou não, mas passa na igreja, agradece a Deus. Tem coisas assim que a gente tem que agradecer, sabe? Tem que agradecer, porque, como eu disse, a chance de pegar assim (melanoma), nesse estágio em que a gente só amplia a margem e está curada, é uma dádiva […]. Não precisa se preocupar com metástase”.
A paciente descobriu o diagnóstico falso ao comparar o laudo apresentado pela médica com o documento obtido diretamente no laboratório; ela gastou mais de R$ 5 mil e ficou com uma cicatriz considerada desnecessária, conforme o G1.
Em consulta ao site do Conselho Federal de Medicina, o registro de Carolina aparecia em situação “regular”, segundo o G1. O G1 perguntou ao Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) se havia processo administrativo ou impedimento ao exercício profissional; em nota, o CRM-PR não respondeu especificamente e afirmou que “sindicâncias e os processos ético-profissionais tramitam em sigilo processual”.
O G1 também informou que, em março de 2024, o CRM-PR aplicou a médica a "censura Público" por anunciar especialidades que não possuía. Em maio de 2024, o CRM-PR determinou uma Interdição Cautelar Total de 180 dias, aprovada pelo Conselho Federal de Medicina, que impedia o exercício da profissão. Na consulta ao site do conselho não constavam especialidades atribuídas a Biscaia, e nas redes sociais ela afirmava ser dermatologista, segundo G1.
Segundo o G1, a defesa informou que vai recorrer da decisão de primeiro grau. Não há, nas informações consultadas, detalhes sobre prazos ou datas de recursos definidos pela Justiça.
Fonte: G1 (reportagem publicada em 10 de setembro de 2026).