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Líderes do Brics reunidos em Nova Delhi aprovaram uma declaração conjunta que evita atribuir culpas no conflito do Oriente Médio e deixou claras divergências internas sobre comércio, sanções e o papel do grupo na cena global, informou a BBC, com reportagem de Azadeh Moshiri (origem Reuters).
Ao lado de autoridades como o primeiro‑ministro Indian Narendra Modi, o President Chinese Xi Jinping, o President russo Vladimir Putin, o President iraniano Masoud Pezeshkian, o príncipe herdeiro de Abu Dhabi Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan e o President sul‑African Cyril Ramaphosa, Índia buscou projetar o Brics como um espaço de diálogo entre atores em disputas mútuas.
A “New Delhi Declaration” adota linguagem cautelosa sobre a guerra no Oriente Médio: pede “maximum restraint” (“máxima contenção”), condena “attacks on civilian infrastructure and peaceful nuclear facilities” (“ataques à infraestrutura civil e a instalações nucleares pacíficas”) e reafirma apoio à solução de dois Estados, além de se opor a deslocamentos forçados e a ações que possam “legitimise or prolong occupation” (“legitimar ou prolongar a ocupação”). O texto não atribui culpabilidade a nenhum país e também não menciona a guerra da Rússia na Ucrânia, segundo BBC.
O comunicado lista preocupação com o “indiscriminate rising tariffs” (aumento indiscriminado de tarifas) e condena sanções unilaterais, mas evita citar países explicitamente. Analistas citados pela reportagem apontam que essa cautela reflete a opção da Índia de não transformar o Brics em um bloco anti‑ocidental: Modi afirmou que o grupo “não é contra ninguém”.
Praveen Donthi, analista sênior do International Crisis Group, disse à BBC que a ausência de nomes mesmo ao condenar o conflito no Oriente Médio “tem a marca da Índia” e destacou surpresa positiva com a referência direta a tarifas.
Foi também a primeira visita de Xi a Nova Delhi em sete anos; a BBC relata um aperto de mão cordial entre Xi e Modi, mas observa que Xi permaneceu menos de 24 horas no encontro e não participou do jantar de gala organizado pelo primeiro‑ministro Indian.
Para o ex‑diplomata citado Anil Trigunayat, a iniciativa de Nova Delhi busca promover “autonomia estratégica em uma era de guerra” e maior colaboração entre os países, mas resta saber se isso resultará em medidas concretas.