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Promotores do condado de Tompkins, em Nova York, anunciaram a reabertura de uma investigação criminal relacionada a uma denúncia de estupro coletivo em uma casa de fraternidade da Universidade Cornell. A movimentação acompanha uma ação civil apresentada por uma mulher identificada nos autos como “Jane Doe”.
segundo BBC, a autora da ação civil acusa que, na noite de 19 de outubro de 2024, sete homens do capítulo Xi da fraternidade Chi Phi a teriam agredido em um episódio que envolveria álcool e a droga cetamina. A mulher teria relatado ter estado intoxicada e incapaz de consentir; ela registrou queixa junto à Cornell University Police em 8 de novembro de 2024.
O promotor do condado de Tompkins, Matthew Van Houten, afirmou que seu escritório reabrirá a investigação e que, “uma vez determinadas as acusações apropriadas, o caso será processado da maneira mais objetiva e imparcial possível” por meio de um grand jury (juízo instrutório composto por cidadãos que avaliam se há base para acusações criminais).
Van Houten informou que, na época do fato em 2024, o escritório havia concluído que a declaração prestada pela vítima às autoridades não atendia ao limiar legal necessário para apresentação de acusações. Ele também observou que a declaração jurada de Jane Doe em novembro de 2024 não alegava ter sido drogada contra a vontade nem ter sido vítima de estupro coletivo, descrevendo a participação em consumo de drogas e conduta sexual como “voluntária, consciente e consensual”, segundo seu comunicado.
O promotor disse ter entrado em contato com Jane Doe e seus advogados enquanto se preparava para levar o caso ao grand jury. Ele afirmou ainda que mensagens do Snapchat descritas na ação civil são “cruas e vulgares” e que o grand jury as considerará no conjunto de provas.
O advogado de Jane Doe, Thomas Giuffra, declarou (em nota obtida por emissora parceira da BBC) que a cliente ficou “traumatizada, entorpecida e incapaz de funcionar” nos dias seguintes ao suposto ataque e que, na fase inicial, falou apenas com o policial que registrou a ocorrência. Giuffra afirmou esperar que a investigação policial tivesse sido mais aprofundada na ocasião.
Em resposta, Cornell disse apoiar a apresentação do caso a um grand jury e negou que os envolvidos não tenham recebido punições consequentes. A universidade afirmou que um painel de professores e funcionários aplicou sanções que incluíram expulsões e suspensões, e que o capítulo Xi da Chi Phi permanece proibido no campus.
Um advogado de um dos homens nomeados na ação, Jeremy Saland, negou as acusações contra seu cliente, afirmando que ele apenas fez um comentário imaturo no Snapchat, não participou de atividade sexual com a autora nem ingeriu cetamina.
O caso ganhou atenção nacional após a divulgação da ação civil e do anúncio da reabertura da investigação. Personalidades públicas, incluindo a atriz Florence Pugh e a congressista Alexandria Ocasio-Cortez, se manifestaram sobre o caso, segundo BBC.
No campus, a edição estudantil e a comunidade demonstraram choque e solidariedade; a editora-chefe do jornal estudantil The Cornell Daily Sun, Sophia Dasser, disse à BBC haver frustração pela falta de transparência sobre o caso e pediu maior clareza sobre processos e resultados. O prefeito de Ithaca instituiu uma moratória em autorizações para eventos estudantis até haver uma prestação de contas sobre protocolos para prevenir e processar crimes de violência sexual, informou a BBC.
A reportagem acrescenta que Cornell formou, em 2025, uma força-tarefa sobre agressões sexuais no campus; uma pesquisa externa de 2025 apontou que 35% das estudantes de graduação e 8% dos estudantes do sexo masculino relataram ter sofrido agressão sexual durante o período na universidade.
O caso permanece em investigação e as alegações descritas na ação civil seguem sendo apresentadas como tais em registros judiciais e nas manifestações das partes citadas pela BBC.