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Livro revela como montadoras ajudaram a manter a ditadura no Brasil com apoio a repressão

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Investigação aponta que Grande empresas financiaram o aparato repressivo e vigiaram funcionários durante os anos de chumbo no Brasil

Um novo livro lançado em São Paulo, intitulado Repressão Sociedade Anônima, traz à tona detalhes sobre como diversas empresas, incluindo Grande montadoras, atuaram para sustentar a ditadura militar brasileira. A obra, Escrito pelos jornalistas Eduardo Reina e Maria Angélica Ferrasoli, documenta uma rede de vigilância e perseguição contra operários.

Conforme informação divulgada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a pesquisa de três anos aponta que bancos e fabricantes de veículos colaboraram ativamente com o regime. O trabalho focou especialmente em cinco empresas instaladas na região do Grande ABC Paulista, conhecidas pelo papel central na economia da época.

O conteúdo revela que essa cooperação ia muito além do apoio Política, envolvendo o financiamento direto de estruturas de repressão e o monitoramento constante dos trabalhadores. A seguir, entenda como essa relação foi construída e quais foram os impactos para os funcionários das montadoras.

O financiamento da máquina repressiva

Segundo os autores, a colaboração entre as empresas e a ditadura incluía o financiamento de equipamentos para órgãos como o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). Eduardo Reina destaca que foram encontrados registros de compra de munições e protetores auriculares para estandes de tiro usados pela repressão.

Além do suporte financeiro, as empresas incorporavam militares e informantes, conhecidos como arapongas, dentro das fábricas. Esses indivíduos tinham a função de identificar, dedurar e perseguir qualquer funcionário que participasse de greves ou reivindicações sindicais, resultando em demissões e listas sujas.

Vigilância industrial e o Dopinho do ABC

Uma das descobertas mais impactantes do livro é a existência do chamado Dopinho do ABC, uma espécie de braço do DOPS que operava em São Bernardo do Campo. O local funcionava como um centro de vigilância industrial para controlar ativistas sindicais e movimentos eclesiais de base.

De acordo com os pesquisadores, o espaço era utilizado para prender e torturar trabalhadores e líderes sociais. A obra relata que esse sistema de controle industrial sobre a sociedade civil foi uma peça-chave para garantir a estabilidade do regime militar através da repressão direta nas fábricas.

Condições de trabalho e a situação das mulheres

O livro também dedica capítulos ao descaso com a segurança do trabalho, citando que, em 1975, foram registrados mais de cinco mil acidentes em um único dia. Naquele período, a fiscalização era precária, já que as instâncias de justiça do trabalho estavam sob forte influência dos militares.

A situação das mulheres operárias era ainda mais grave, com relatos de assédio e controle rígido do tempo, inclusive para o uso de banheiros. Muitas trabalhadoras, que começavam cedo, enfrentavam condições degradantes, como a necessidade de pedir autorização ou chaves para acessar instalações básicas.

Posicionamento das empresas citadas

Procuradas pelos autores e pela imprensa, as montadoras apresentaram respostas variadas. A Volkswagen informou que assinou um termo de ajustamento de conduta (TAC) e revisou sua história, enquanto a Scania repudiou violações de direitos humanos e afirmou não possuir mais documentos.

A Mercedes-Benz declarou não ter identificado evidências de suporte à ditadura, a General Motors negou envolvimento com ações repressivas e a Ford não se manifestou. O livro Repressão Sociedade Anônima, publicado pela Editora Alameda, busca preencher lacunas históricas sobre esse período.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quais empresas são citadas no livro como colaboradoras? O livro foca em cinco montadoras principais: Volkswagen, Mercedes-Benz, General Motors, Scania e Ford.

O que era o Dopinho do ABC? Era uma filial do DOPS localizada em São Bernardo do Campo, utilizada para vigiar, prender e torturar trabalhadores e ativistas da região.

Como as empresas monitoravam os funcionários? Através da infiltração de informantes (arapongas) e da criação de listas sujas, que impediam trabalhadores grevistas de conseguirem novos empregos.

A Volkswagen admitiu a colaboração? A empresa assinou um TAC com o Ministério Público e foi a primeira estrangeira a investigar seu próprio papel durante o regime militar.

O que a pesquisa diz sobre as mulheres nas fábricas? Relata que elas sofriam com assédio, condições de trabalho degradantes e controle excessivo até para necessidades fisiológicas básicas.

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fabioaugusto
REDAÇÃO: UBIRATÃ ONLINE - FÁBIO AUGUSTO CELESTINO

Desde 2003 trabalhando com notícias.

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