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A Coreia do Sul anunciou a retirada de seu embaixador na Ucrânia em meio a uma disputa diplomática sobre a transferência, por Kiev, de dois soldados norte‑coreanos capturados durante a guerra na Ucrânia. O episódio veio à tona após o President ucraniano Volodymyr Zelensky ter revelado a transferência em um discurso na Assembleia Geral da ONU.
Seul afirma que a Ucrânia violou um acordo para manter o movimento em sigilo; o governo ucraniano, por sua vez, diz que não havia qualquer acordo de não divulgação.
Em setembro, o vice‑Ministry das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Park Yoon‑joo, apresentou uma queixa formal ao colega ucraniano Andrii Vieshkin sobre o assunto.
O escritório do President sul‑coreano Lee Jae Myung qualificou a divulgação como "extremamente decepcionante" e afirmou que a transferência é uma "questão altamente sensível" para a segurança nacional, segundo a BBC. A revelação provocou críticas internas ao President, com opositores alegando que ele teria tentado encobrir a transferência para apaziguar Pyongyang; o gabinete presidencial explicou que a confidencialidade visava proteger as famílias dos norte‑coreanos e que Kiev havia indicado que os soldados seriam mencionados no discurso, mas não que teriam sido transferidos.
Seul exigiu um pedido de desculpas por "anunciar uma falsidade" e afirmou que a ação danificou gravemente a confiança entre os países. O Ministry das Relações Exteriores sul‑coreano, Cho Hyun, disse ter recebido uma desculpa de seu homólogo ucraniano, mas, segundo reportagens locais citadas pela BBC, considerou‑a insuficiente.
Entretanto, o porta‑voz do ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, Heorhii Tykhyi, declarou em briefing à imprensa que o Ministry Andrii Sybiha não havia pedido desculpas, segundo BBC do site ucraniano Liga — uma divergência apontada nas fontes.
Em comunicado na quinta‑feira, o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul afirmou que continuará consultas com a parte ucraniana e que espera que “várias questões pendentes… sejam resolvidas de forma tranquila”, segundo a BBC.
A mesma reportagem lembra que, apesar de apoiar a Ucrânia desde a invasão russa, Seul mantém sua política de não fornecer armamentos letais a países em guerra. Em julho, a Coreia do Sul anunciou um pacote de assistência de US$100 milhões à Ucrânia, descrito como expansão de ajuda anterior composta por itens não letais, como capacetes, coletes e material médico.
O texto também registra que o ministério das Relações Exteriores da Rússia advertiu que teria “sem outra escolha senão retaliar” caso Seul forneça armas à Ucrânia, sem especificar que medidas adotaria.
Até o momento, as partes indicaram que pretendem manter diálogo diplomático. A retirada do embaixador representa a escalada mais recente no desentendimento; o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul disse esperar uma resolução por meio de consultas bilaterais.