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O Ministério Público do Paraná, por meio do núcleo de Paranaguá do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), obteve a primeira condenação entre os 23 denunciados na comarca no âmbito da Operação Panóptico, que investiga a atuação de uma organização criminosa de alcance nacional, articulada a partir de unidades prisionais. A sentença foi proferida nesta quarta-feira, 7 de outubro, pela 2ª Vara Criminal de Paranaguá, no Litoral do estado, e condenou a 16 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão um homem denunciado pelo MPPR pelo crime de integração em organização criminosa.
Áudio do Promotor de Justiça Edson Ricardo Scolari Filho
De acordo com a denúncia, o condenado integrou a estrutura hierárquica da organização, exercendo funções de liderança. Essas posições envolviam atividades de orientação e fiscalização dos integrantes, aplicação de procedimentos disciplinares e manutenção da organização interna da facção.
As investigações reuniram elementos que demonstram a existência de uma estrutura organizada, com divisão de funções, mecanismos de controle de integrantes e comunicação entre membros que estão dentro e fora do sistema prisional.
Provas reunidas – Entre os elementos considerados na investigação estão dados extraídos de um aparelho celular apreendido no endereço do réu. A análise identificou documentos internos do grupo criminoso, como o estatuto da organização e a cartilha disciplinar, além de grupos de WhatsApp utilizados para transmitir orientações, controlar integrantes, atualizar cadastros, arrecadar recursos e divulgar decisões internas.
Também foram encontrados registros cadastrais dos integrantes, com informações como nomes, apelidos, histórico prisional e funções exercidas na organização, além de formulários e documentos destinados ao controle interno, à substituição de responsáveis e à atualização das informações dos membros.
As apurações identificaram, ainda, referências à Ilha dos Valadares, em Paranaguá, como local de concentração de lideranças e de articulação das atividades da facção. Mensagens trocadas em grupos internos também tratavam de arrecadação de dinheiro, auxílio financeiro a integrantes, suporte logístico a pessoas presas e comunicação entre membros encarcerados e aqueles em liberdade.
Abrangência – A Operação Panóptico foi deflagrada em 15 de junho de 2026, em âmbito estadual, para o cumprimento de 304 mandados de prisão e 255 mandados de busca e apreensão em quatro estados: Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, totalizando 559 ordens judiciais. A ação contou com a atuação conjunta dos dez núcleos do Gaeco do MPPR, em parceria com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná, por meio das polícias Militar, Civil, Penal e Científica.
Ao todo, foram denunciadas 333 pessoas em decorrência da operação. Somente em Paranaguá, foram oferecidas 21 denúncias, todas já recebidas pela Justiça, que somam 23 réus. Os processos estão em diferentes fases de tramitação.
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