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Relatos de navios atacados em e ao redor do Estreito de Hormuz atingiram o maior número semanal desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, segundo análise do BBC Verify com dados da agência Maritime britânica UKMTO. Foram 12 embarcações relatando ataques entre 5 e 11 de outubro; na semana anterior haviam sido 10.
De acordo com a compilação do BBC Verify, seis navios foram atingidos em um único domingo — um recorde diário citado pela UKMTO — e, até a semana reportada, houve quatro ataques adicionais no período mais recente. A própria montagem da linha do tempo pelo BBC Verify é aproximada, porque alguns relatórios usam a data do ataque e outros a data da comunicação.
Imagens verificadas registraram o petroleiro bandeira da Nicarágua Petro Dolphin em chamas após ser atingido por um drone perto do ancoradouro de Sohar, em Omã, a mais de 250 km do estreito, segundo a firma de inteligência Maritime Vanguard. A Forward Seamen's Union of India informou que 11 tripulantes indianos foram resgatados e dois seguem desaparecidos.
Outro caso citado pelas fontes foi o afundamento do porta-contêineres GFS Pride após um impacto por um projétil de origem não identificada no próprio estreito; 21 tripulantes foram evacuados com segurança, diz o BBC Verify, que cita publicação de imagens pelo IRGC mostrando o navio afundando. O IRGC afirmou também que a embarcação transportava “2.500 contêineres de contrabando” e teria seguido uma “rota não autorizada” — declaração atribuída ao próprio IRGC.
Vanguard também relatou ataques mais distantes do estreito: um petroleiro atingido ao norte do Qatar em 8 de outubro, a mais de 500 km do Estreito de Hormuz, e outro ataque próximo à cidade dos Emirados Al-Jazirah al-Hamra em 9 de outubro.
Segundo o BBC Verify, parte do carregamento recente tem sido realizada por um sistema de “shuttle” em que um conjunto de petroleiros menores cruza o estreito e transfere carga para navios maiores no Golfo de Omã, seguindo rota próxima à costa de Omã. O Irã diz que essa rota é “não autorizada” e defende que as embarcações sigam um percurso mais próximo de sua própria costa.
Especialistas consultados pelo BBC Verify afirmam que o Irã tem ampliado ataques para afirmar maior controle sobre a via Maritime, ao mesmo tempo em que os EUA intensificaram a escolta de navios através do sul do estreito. Martin Kelly, da Orbital Risk Intelligence, disse que o Irã "evoluiu sua estratégia" e tem realizado ataques "quase diários ou múltiplos ataques todos os dias" — afirmação reproduzida pelo BBC Verify.
O Comando Central dos EUA (US Central Command) publicou nas redes sociais que, apesar dos ataques, “o tráfego comercial continua a fluir através do Estreito de Hormuz com proteção coordenada de forças dos EUA e parceiros regionais” — declaração mencionada no levantamento do BBC Verify.
O BBC Verify compilou relatórios publicados pela UKMTO e montou uma linha do tempo com a primeira data citada em cada ocorrência; essa datação é aproximada porque alguns registros citam a data do ataque e outros a data de publicação do relatório, conforme assinala a própria análise.