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Uma investigação sobre um suposto estupro em 2024 voltou a dominar o debate no campus da Cornell University e, segundo alunos e professores ouvidos pela BBC, lançou uma “nuvem escura” sobre a vida acadêmica, elevando a tensão e a frustração na comunidade.
A reportagem da BBC, publicada em 2 de outubro de 2026, relata que a reaparição do caso levou a uma assembleia estudantil na quinta-feira em que participantes pediram mudanças drásticas na universidade e criticaram a falta de transparência da administração.
A pessoa que Figure como vítima no processo, identificada como Jane Doe, entrou com uma ação civil contra a Cornell em 16 de setembro, alegando ter sido drogada e estuprada em uma casa de fraternidade em 2024. Os homens citados na acusação chegaram a ser chamados de "Cornell Seven" na cobertura mediática.
A universidade concordou com uma investigação independente sobre a alegação. Em comunicado externo, a Cornell afirmou ter conduzido uma “extensive investigation” que durou vários meses após a denúncia e disse que agiu em conformidade com a legislação federal de direitos civis aplicável.
Na esfera criminal, a governadora de Nova York, Kathy Hochul, nomeou a procuradora-geral do estado, Letitia James, como procuradora especial do caso, afirmando ter perdido a confiança no procurador do condado de Tompkins, Matthew Van Houten, que originalmente liderava a investigação. O escritório de Van Houten havia concluído inicialmente que as evidências não atendiam ao limiar legal para apresentar acusações, mas reabriu a investigação criminal na semana passada após a nova ação civil — uma reabertura que teve o apoio da Cornell.
Alunos e funcionários disseram à BBC que a tensão no campus se intensificou nas últimas semanas. Uma estudante de graduação, Sophia Riley Sim, disse na assembleia que estava “muito abalada” e que deixou de frequentar aulas na semana anterior.
Outra aluna, Eliana Dolven-Miller, declarou: “Estou muito enojada por estar aqui, por pagar para estar aqui”. O presidente da assembleia estudantil, Eeshaan Chaudhuri, disse que o campus se posiciona “com as vítimas de violência sexual” e afirmou que há vergonha em relação aos eventos ocorridos.
Um membro do corpo docente descreveu o clima como “desolador”, ressaltando que professores e funcionários não são terapeutas treinados e que é difícil lidar com as discussões entre estudantes. A BBC registra que algumas fontes falaram em condição de anonimato.
Estudantes organizam um protesto intitulado “Justice for Survivors” previsto para 5 de outubro, divulgado em panfletos pelo campus. Entre as exigências estão expulsões e revogação de diplomas dos acusados, reformulação de políticas disciplinares sobre agressões sexuais, investigação externa da universidade e treinamento obrigatório em prevenção para a polícia do campus.
A Cornell afirmou que, ao final de seu procedimento, um painel disciplinar impôs uma variedade de sanções, incluindo expulsões e suspensões, mas acrescentou que é legalmente impedida de divulgar detalhes específicos sobre medidas disciplinares aplicadas a estudantes, algo que a administração reconheceu ser frustrante para a comunidade.
Mais de 1.300 ex-alunos assinaram uma carta publicada no jornal estudantil da universidade pedindo ações rápidas e amplas por parte da instituição.
Confirmado pelas fontes consultadas pela BBC: a existência da ação civil protocolada em 16 de setembro; a nomeação de Letitia James como procuradora especial pela governadora Kathy Hochul; a reabertura da investigação criminal pelo escritório do procurador de Tompkins; a concordância da Cornell com uma investigação independente; a realização da assembleia estudantil e o anúncio do protesto para 5 de outubro.
Permanecem incertos, conforme as fontes: detalhes sobre as provas reunidas, resultados completos das investigações internas da universidade e as sanções individuais, as quais a Cornell diz estar legalmente impedida de divulgar publicamente.
Fonte: BBC (reportagem de Nada Tawfik e Sakshi Venkatraman).