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Os deputados estaduais do Paraná aprovaram em segunda votação, nesta terça-feira (20), um projeto de lei que obriga hospitais, clínicas e maternidades das redes pública e privada a encaminharem mensalmente à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informações sobre abortos realizados. A proposta foi aprovada por 32 votos favoráveis e 5 contrários e segue agora para sanção do governador Ratinho Junior (PSD).
Segundo a justificativa do projeto, o objetivo é “ampliar a transparência dos dados, fortalecer a vigilância sanitária e subsidiar a formulação de políticas públicas”; a proposta determina ainda que os dados enviados sejam anônimos.
O texto aprovado estabelece que o relatório mensal das unidades de saúde deve conter, de forma anônima:
O projeto determina que a Sesa organize e publique os dados em até 30 dias após o recebimento, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e preservando a identidade e privacidade das pacientes. Os dados poderão ser disponibilizados no site da Secretaria ou por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Para municípios com até 30 mil habitantes, a divulgação deverá ser feita de forma agregada por regional de saúde, sem identificação individualizada do município.
Especialistas ouvidos pelo G1 afirmaram que a proposta pode representar risco aos Direito das mulheres e ao sigilo entre paciente e profissional de saúde, e apontaram potenciais inconstitucionalidades.
A advogada Renata Farah, Especialistas em Direito Médico e Direito à Saúde, afirmou: "Viola muitos Direito, principalmente o direito fundamental à privacidade, o direito à saúde dessa paciente, normas da Lei Geral de Proteção de Dados…
O advogado Samuel Ebel Braga Ramos ressaltou a proteção do sigilo na relação médico-paciente: “Qualquer tipo de atendimento paciente-médico, até os abortos que o Código Penal prevê como crime, o médico tem que guardar o sigilo do atendimento.” Ele afirmou que informações sobre casos de aborto são dados extremamente sensíveis e avaliou que a medida constitui violação de sigilo profissional.
Os especialistas também alertaram que a anonimização, por si só, não garante o anonimato completo das pacientes. Ramos questionou a cadeia de proteção das informações e quem terá acesso aos documentos; o projeto aprovado não detalha esse fluxo.
O projeto foi aprovado com 32 votos favoráveis e 5 contrários; três deputados presentes não votaram e outros 13 estavam ausentes. Após a aprovação na Assembleia, a proposta segue para sanção do governador Ratinho Junior (PSD).
Como votaram os deputados:
A favor:
Contra:
Não votaram (presentes):
Ausentes: