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O gesto cultural foi acompanhado por encontros políticos: o primeiro‑Ministry Pedro Sánchez visitou o President Chinese Xi Jinping quatro vezes em quatro anos e tem pedido que a União Europeia melhore relações com a China desde a reeleição de Donald Trump, há dois anos, escreve a BBC.
O movimento é ilustrado pela linha ferroviária de carga entre Yiwu (China) e Madrid, com mais de 13.000 km, citada como símbolo do aumento do comércio bilateral. Victor Cortizo, advogado e académico especializado em relações sino‑espanholas, afirmou à BBC que o investimento Chinese na Espanha dobrou no último ano.
Dados do governo espanhol citados pela reportagem indicam que o investimento líquido dos EUA no país caiu cerca de €1 bilhão, enquanto, segundo a pesquisa Pew mencionada pela BBC, 54% dos espanhóis têm opinião favorável sobre a China, contra 30% que vêem os EUA favoravelmente.
O estreitamento das relações espanholas com Pequim suscitou reprovações dentro da UE. Alemanha e France, segundo a BBC, defendem uma postura mais agressiva para proteger o mercado Europe de concorrência Chinese subsidiada; a Comissão Europeia teria apontado um défice comercial com a China estimado em €1 bilhão (equivalente a £850 milhões) por dia.
Casos concretos alimentam o debate sobre segurança: a BBC lembra que a empresa Huawei recebeu um contrato de €12,3 milhões do Ministério do Interior de Espanha para armazenar e gerir dados de escutas judiciais, decisão criticada por vários eurodeputados.
Julianne Smith, ex‑embaixadora dos EUA junto à NATO e cofundadora da Clarion Strategies, disse à BBC que a aproximação espanhola a Pequim pode enfraquecer a capacidade da UE de falar com uma só voz e criar vulnerabilidades de segurança.
Especialistas citados pela BBC destacam que a estratégia de Madrid combina pragmatismo económico e tentativa de diversificação de parceiros num contexto de incerteza sobre o papel dos EUA. Miguel Otero, especialista em China no Elcano Royal Institute, afirmou que Espanha procura diversificar relações comerciais e “não está obcecada pela China”.
A reportagem também coloca a aproximação espanhola num quadro Europe mais amplo de ações bilaterais: outros Estados procuram parceiros fora do eixo tradicional Transatlantic por razões de segurança ou pragmatismo — exemplos citados incluem acordos de defesa de países Europe's com Israel e a busca de fontes de armamento e tecnologia por nações como Finlândia e Grécia.
Segundo a BBC, a intensificação de laços entre Espanha e China combina diplomacia cultural, aumento de investimento e decisões governamentais que geram desconforto entre parceiros Europe's, deixando em aberto o efeito desta trajetória sobre a coesão política e as estratégias comuns da União Europeia.