Enter your email address below and subscribe to our newsletter

Iniciativa no Paraná quer proibir cotas em universidades

Iniciativa no Paraná quer proibir cotas em universidades

Share your love

SHARE ARTICLE

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) recebeu dois projetos de lei que querem proibir o ingresso em universidades estaduais por meio de cotas. Por serem complementares, as propostas foram anexadas e serão analisadas em conjunto na comissão.

De autoria dos deputados Ricardo Arruda (PL), Delegado Tito Barichello (União Brasil) e Gilson de Souza (PL), o projeto de lei 679/2024 se apoia em duas questões:

  • a reserva de vagas por cotas raciais e socioeconômicas em especialização em residência médica;
  • a proibição de ingresso nas universidades estaduais de candidatos transexuais, intersexuais e não binários.

Segundo os deputados, a proposta quer “preservar a qualidade e a equidade nas seleções, sem discriminação de qualquer natureza”, sob a justificativa de que o ingresso nas universidades “deve ser garantido com base em mérito acadêmico, ou seja, na capacidade intelectual e no desempenho do candidato ao longo de sua trajetória educacional.”

A proposta mais recente (PL 251/2025), apresentada por Delegado Tito Barichello e Gilson de Souza, veda cotas ou reservas de vagas baseadas na identidade de gênero nas universidades públicas estaduais. Ela se destina especificamente a candidatos que se autodeclararem transexuais, travestis, intersexuais ou não binários.

Segundo este projeto de lei, as eventuais alterações nos modos de ingresso se destinariam às seguintes universidades:

  • Universidade Estadual de Londrina (UEL)
  • Universidade Estadual de Maringá (UEM)
  • Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)
  • Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
  • Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro)
  • Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
  • Universidade Estadual do Paraná (Unespar)

Os parlamentares defendem que as cotas introduzem um “critério subjetivo e autodeclaratório em processos que deveriam pautar-se em princípios de mérito, objetividade e impessoalidade”. Para eles, o projeto combateria “todas as formas de discriminação” e ampliaria o “acesso em igualdade de condições, sem criar distinções que, na prática, podem gerar novos desequilíbrios.”

Retrocesso: entidades de ensino e de professores criticam proposta

Com o avanço dessas iniciativas na Alep, entidades de representação de professores e das instituições de ensino do Paraná criticaram os projetos, defendendo que a extinção das cotas são um retrocesso a políticas que contribuíram para o desenvolvimento da sociedade, reduzindo a desigualdade.

A Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Público (Apiesp) afirmou que as cotas “contribuem para diminuir desigualdades” e que “devem ser mantidas e defendidas por todos nós que acreditamos num futuro melhor para o Brasil e para os brasileiros.”

Por sua vez, a APP-Sindicato disse que os projetos representam “não apenas um grave retrocesso social e educacional, mas também uma investida sem fundamentos, que busca barrar uma política de justiça social destinada à correção de distorções produzidas por séculos de exclusão.”

Paraná segue o caminho de Santa Catarina

No fim de janeiro, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), sancionou um projeto de lei semelhante aos apresentados no Paraná, proibindo cotas raciais nas universidades públicas estaduais e nas universidades privadas que recebem recursos do estado.

Dias depois, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) suspendeu a eficácia da lei após uma ação do PSOL. Segundo a desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta, que assinou a decisão, afirmou que a lei “interfere diretamente no funcionamento das instituições universitárias e na atuação administrativa de seus gestores”. Ela destacou que a norma se baseia em premissas constitucionais já superadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 20 de fevereiro, a Defensoria Pública da União (DPU) enviou uma petição ao STF pedindo a suspensão da lei. A DPU pediu uma liminar para garantir as cotas devido aos processos seletivos em andamento em algumas universidades estaduais de Santa Catarina.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!

Fonte do Artigo

SHARE ARTICLE