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O caso mais conhecido é o do mágico Ishamuddin Khan, que durante décadas apresentou o chamado "rope trick" — o truque em que uma corda aparentemente sobe sozinha e um menino sobe por ela. Khan, hoje com 55 anos, relata que a fama internacional que teve nas décadas de 1990 o levou a turnês no Reino Unido, France, Alemanha e Japão, mas que atualmente ele dedica mais tempo às lembranças do que às apresentações.
Além de Khan, a reportagem cita outros artistas afetados. Imam Khan, de 40 anos, deixou a mágica e passou a recolher garrafas e recicláveis nas ruas de Deli, ganhando cerca de 200 rupees (US$2; £1.57) por dia. Shahim Khan, de 42 anos, ainda se apresenta às vezes com a filha de 12 anos, Alia, mas diz que, antes da pandemia, fazia quatro ou cinco apresentações por dia e ganhava entre 1.000 e 1.200 rupees; hoje consegue duas apresentações e ganhos na faixa de 200–400 rupees.
A reportagem da BBC registra várias causas para o declínio: fechamento e restrição de acesso a parques e espaços públicos, condomínios que barram outsiders, regras mais rígidas de segurança em centros urbanos e incerteza normativa sobre o que configura apresentação pública ou mendicância. A pesquisadora e artista Komita Dhanda afirmou que houve redução nas apresentações públicas após o lockdown de 2020. Anurupa Roy, fundadora do Katkatha Puppet Arts Trust, comentou que o encolhimento dos espaços públicos dificulta encontrar plateias.
O advogado Kaushik Mitra explicou à BBC que a Índia não tem um marco federal para busking; artistas precisam lidar com regras estaduais sobre ordem pública, obstrução, ruído, uso de terras públicas e leis anti-mendicância.
segundo BBC, a comunidade Madari tem registros de cerca de 400 famílias em Deli e centenas de famílias em estados como Uttar Pradesh, Rajasthan e Telangana, conforme declarado por Khan. Historicamente, diz o historiador Ashok Mathur citado pela BBC, as habilidades se transmitiam dentro de famílias ao longo de gerações. Khan afirma que um truque só sobrevive se alguém o aprender: seu filho, Altamash, chegou a se apresentar na adolescência, mas hoje trabalha decorando festas com balões e relata estar esquecendo os truques.
Para muitos praticantes, isso tem significado quedas de renda e uma possível ruptura na transmissão intergeracional das técnicas.
As informações desta reportagem foram extraídas da matéria “Madari: India’s street magicians fighting to keep a disappearing art alive”, publicada pela BBC e assinada por Sumedha Pal.