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Malaysia inicia repatriação controversa de cerca de 5.000 solicitantes de refúgio para Mianmar

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Três navios levam primeiro grupo de 1.476 pessoas; governo diz que retorno é voluntário e barrou a agência da ONU de ver os repatriados

Três navios da marinha de Mianmar devem deixar a Malaysia levando o primeiro grupo de 1.476 retornados. O governo malaio descreve as remoções como voluntárias, mas impediu que a agência de refugiados da ONU (UNHCR) visse ou fizesse a triagem das pessoas, que estavam retidas em centros de detenção, segundo a BBC.

Quem está envolvido e reações

O primeiro contingente inclui, segundo o primeiro-ministro Anwar Ibrahim, membros da comunidade rohingya —minoridade muçulmana considerada perseguida em Mianmar— que buscou abrigo em grande número na Malaysia.

Críticas ao governo também vieram de figuras públicas internas. Latheefa Koya, ex-chefe da Malaysian Anti Corruption Commission, chamou a decisão de “disgraceful, amoral, and shames the nation in the eyes of the international community”, frase reproduzida pela BBC.

Posição do primeiro-ministro e contexto político

Em entrevista citada pela BBC, Anwar disse: “Podemos prendê-los, mas não os batam, intimidem ou humilhem”. Em outro trecho citado pela reportagem, afirmou que os rohingyas “claramente se tornaram um fardo”.

Obstáculos e riscos para os repatriados

A reportagem da BBC destaca dificuldades práticas e humanitárias no retorno: rohingyas não são reconhecidos como cidadãos em Mianmar e têm liberdade de movimento restrita dentro do país; são permitidos apenas em Rakhine, estado que está em grande parte sob controle do Exército Arakan (Arakan Army) e alvo de bombardeios da força aérea de Mianmar. Na véspera da repatriação, o Arakan Army afirmou que duas bombas mataram 49 pessoas em um mercado na cidade de Kyauktaw, segundo a BBC.

O único local citado como possibilidade de retorno é a capital do estado, Sittwe, descrita pela reportagem como cercada e isolada, onde rohingyas vivem em campos com falta crítica de comida e remédios. Grupos de direitos humanos também temem que homens entre os retornados possam ser forçados a se alistar na guerra civil.

A BBC relata que nem a Malaysia nem Mianmar explicaram como esses obstáculos seriam superados ou como a repatriação seria compatível com princípios humanitários.

Declarações de refugiados e defensores

Fonte: BBC, reportagem de Jonathan Head.

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fabioaugusto
REDAÇÃO: UBIRATÃ ONLINE - FÁBIO AUGUSTO CELESTINO

Desde 2003 trabalhando com notícias.

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