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Meta lança versão dos Ray‑Ban sem câmera após polêmica sobre ‘pervert glasses’

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Ray‑Ban Meta Audio retira câmera e mantém funções de áudio; Meta diz que produto estava em desenvolvimento há dois anos, enquanto críticas por privacidade persistem

A Meta anunciou uma versão dos óculos inteligentes Ray‑Ban sem câmera, chamada Ray‑Ban Meta Audio, que preserva funções de áudio — como tocar música e realizar chamadas — mas elimina a captação de imagens, segundo a BBC. A empresa afirma que o modelo sem câmera estava em desenvolvimento há dois anos e nega que o lançamento seja uma resposta imediata à reação pública.

O novo modelo é descrito pela Meta como mais barato, com armação mais leve e maior duração de bateria em comparação aos óculos com câmera.

Por que a mudança

A linha original de óculos Ray‑Ban com tecnologia da Meta provocou ampla controvérsia desde o lançamento em 2023, com relatos de uso indevido — incluindo gravações sem consentimento — e apelidos como “pervert glasses” ou “creepy glasses”, segundo BBC. Em resposta, locais como pubs da cadeia JD Wetherspoon, alguns teatros, a convenção Comic‑Con, determinadas escolas e a base naval de Faslane, no Reino Unido, optaram por banir os óculos.

O que os óculos sem câmera oferecem

Os Ray‑Ban Meta Audio mantêm recursos de áudio: reprodução de música, chamadas e canais sonoros direcionados ao ouvido do usuário. Segundo a BBC, os óculos funcionam como extensão do celular via Bluetooth e pelo aplicativo Meta AI, com ativação por voz e alto‑falantes abertos nos hastes.

Usuários e testadores destacaram benefícios práticos: ouvir mapas por áudio, escutar podcasts sem fones intra‑auriculares e facilitar atividades cotidianas. A reportagem também ressaltou que a tecnologia foi elogiada por parte da comunidade de pessoas cegas, e que a Meta doou 15.000 pares a uma instituição para cegos na Irlanda no ano corrente.

Reações e desafios de segurança

Críticas permanecem. Liz Hunter, criadora de uma petição por regulamentação mais rígida, afirmou que os óculos “nunca, jamais deveriam ter saído do laboratório da Meta” e descreveu o caso como uma “traição da confiança pública” em relação à privacidade das mulheres, segundo a BBC.

Aplicativos e soluções para detectar ou mitigar o uso indesejado também surgiram: um desenvolvedor polonês lançou o app ZuckOff, capaz de identificar óculos inteligentes nas proximidades via Bluetooth; o app teve milhares de downloads, conforme menção à Wired citada pela BBC.

Como a indústria reage

Analistas ouvidos pela BBC ofereceram interpretações distintas sobre o significado da versão sem câmera. Janusz Swierczynski, pesquisador da Saïd Business School, disse ver o lançamento como um sinal positivo de que a Meta ouviu preocupações de privacidade. Já Ben Wood, da CCS Insight, afirmou que os óculos com câmera continuam centrais para extrair dados visuais que alimentam experiências baseadas em IA.

Kate Winick, analista da Forrester, descreveu a iniciativa como um “meio‑passo” que pode ajudar o mercado a familiarizar usuários com a tecnologia, permitindo que alguns optem por modelos sem câmera enquanto outros preferem recursos visuais mais avançados.

Outras empresas seguem com desenvolvimentos próprios: a Snap lançou os óculos Specs por $2,195 (e £1,995 no Reino Unido); há relatos de parcerias da Samsung com a Warby Parker e de projetos da Google, segundo a BBC. A HTC também lançou um modelo, Vive Eagle, que desativa a câmera se um comando como “stop filming” for captado por seus microfones, e garante criptografia das gravações — segundo Thomas Dexmier, executivo citado pela reportagem.

A Meta prevê continuidade no desenvolvimento de óculos com câmera: a empresa planeja trazer ao Reino Unido a terceira geração dos aparelhos, que permitem exibir informações visualmente nas lentes, conforme informado pela BBC.

Fonte: BBC.

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fabioaugusto
REDAÇÃO: UBIRATÃ ONLINE - FÁBIO AUGUSTO CELESTINO

Desde 2003 trabalhando com notícias.

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