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A ciência brasileira acaba de registrar um marco importante para a entomologia ao identificar, após 206 anos, o macho da espécie de gafanhoto Proscopia gigantea. O inseto, conhecido por sua aparência peculiar que lembra pequenos galhos, intrigou pesquisadores por mais de dois séculos, já que apenas as fêmeas haviam sido catalogadas originalmente.
Conforme informação divulgada pelo portal Banda B, o avanço foi possível graças a um estudo minucioso que envolveu a revisão de coleções científicas e a análise de exemplares encontrados na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará. A descoberta foi liderada pela pesquisadora Larissa Queiroz, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
A pesquisa, que contou com o apoio de especialistas da Universidade Federal do Paraná e do Museu Nacional, foi publicada na revista científica Zootaxa. O trabalho não apenas esclareceu a identidade do macho, mas também promoveu uma profunda reorganização na classificação taxonômica da família Proscopiidae.
O principal motivo para a demora na identificação foi uma confusão taxonômica histórica. Durante décadas, os exemplares machos de Proscopia gigantea apresentavam características físicas que levavam os cientistas a classificá-los erroneamente em um gênero distinto, chamado Carbonellis.
A situação só foi elucidada quando a equipe de pesquisadores comparou exemplares preservados em diferentes coleções. Em 2025, a descoberta de um casal de gafanhotos se reproduzindo na natureza permitiu a confirmação definitiva de que o macho pertencia, na verdade, ao mesmo grupo da fêmea descrita em 1820.
O estudo foi além da resolução do caso específico da Proscopia gigantea. Os pesquisadores concluíram que o gênero Carbonellis não possuía distinções suficientes para ser mantido separadamente, resultando na sinonimização dos grupos. Essa mudança reorganiza a classificação de diversas Espécie conhecidas.
Além da reclassificação, a investigação científica resultou na descrição de nove novas Espécie. Entre as catalogadas estão a Kamara kratxatxa, Celatus nath, Lianascopia albae, Lianascopia domenicoi, Milenascopia uatuma, Proscopia caacy, Pseudoproscopia taka e Pseudoproscopia trajakan.
Um ponto de destaque na pesquisa foi a escolha dos nomes científicos, que buscam homenagear a biodiversidade e a cultura da região Amazônia. A pesquisadora Larissa Queiroz buscou referências em povos indígenas, mitologia tupi-guarani e manifestações culturais como o Boi-Bumbá Garantido.
Para a denominação da espécie Kamara kratxatxa, a equipe contou com a colaboração de João Wehteke Kamarayano, indígena do povo Hixkaryana. O termo kratxatxa, utilizado pelo povo indígena para designar gafanhotos, foi incorporado oficialmente à nomenclatura científica, unindo saber ancestral e biologia.
1.
2. Como a identificação foi finalmente confirmada?
A confirmação ocorreu após a análise de um casal encontrado se reproduzindo na Floresta Nacional de Caxiuanã em 2025, o que permitiu associar corretamente o macho à fêmea já conhecida.
3. O que aconteceu com o gênero Carbonellis?
O estudo mostrou que ele não apresentava diferenças suficientes para ser separado de Proscopia, por isso, ambos foram sinonimizados, passando a compor o mesmo grupo taxonômico.
4. Quantas novas Espécie foram descritas no estudo?A pesquisa resultou na descrição de nove novas Espécie de gafanhotos, todas associadas à biodiversidade da Amazônia.
5. Qual a importância de nomes como Kamara kratxatxa?
Estes nomes valorizam a cultura local e os saberes indígenas, como o termo usado pelo povo Hixkaryana, integrando a identidade da região à classificação científica global.