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O Ministério Público do Paraná ofereceu denúncia contra quatro homens por tortura qualificada seguida de morte, cárcere privado e suposta fraude processual após a morte de Alexandre Rodrigues Ramos, de 27 anos, que caiu do 14º andar de um prédio em Londrina. Segundo a promotora Márcia Regina dos Anjos, Alexandre tentou fugir do quarto onde estava porque soube que seria agredido novamente no dia seguinte.
Conforme informações da Polícia Civil, o caso ocorreu na noite de 13 para 14 de agosto. Alexandre estava visitando a namorada quando, por volta das 22h30 do dia 13, foi confrontado por quatro suspeitos com uma faca, que acreditavam que ele havia furtado uma câmera fotográfica avaliada em R$ 12 mil. A câmera não foi encontrada.
Segundo o delegado Miguel Chibani, a vítima foi trancada em um cômodo, teve mãos e pés amarrados com um cabo de extensão e sofreu agressões físicas. De acordo com investigações, os suspeitos forçaram Alexandre a ingerir dois comprimidos de uma medicação que teria provocado alteração do estado de consciência. Chibani afirmou que houve chutes, socos, tapas, ameaças de morte e relatos de que os agressores planejavam um “corretivo”.
O delegado Roberto Fernandes afirmou que Alexandre recebeu agressões físicas e psicológicas por aproximadamente três horas. Em outro trecho das investigações, Chibani relatou que os ataques sucederam por cerca de quatro horas.
Segundo a investigação Polícia, Alexandre conseguiu se desvencilhar das amarras, cortou parte da tela de proteção da sacada e tentou acessar o apartamento abaixo. Uma Testemunhas relatou tê‑lo visto tentando alcançar a sacada do andar inferior e, em seguida, despencar. O laudo pericial descartou que o corpo tenha sido jogado do prédio, concluindo que a queda foi involuntária, conforme detalhou o delegado Fernandes.
O Ministério Público aguarda a conclusão de laudos periciais para Esclarece o estado de saúde de Alexandre no momento da queda; a promotora informou que a vítima foi submetida a medicamentos que teriam alterado seu estado.
O MP ofereceu denúncia contra os quatro homens, com idades entre 22 e 24 anos, pelos crimes de tortura qualificada seguida de morte, cárcere privado e suposta fraude processual. Entre as medidas apontadas na denúncia estão a alteração do local do crime para simular suicídio, ocultação de objetos usados nas agressões, exclusão de fotos feitas pelos suspeitos com a vítima ainda presa e descarte de documentos da vítima no lixo. O órgão também requereu o pagamento de indenização de R$ 40 mil aos familiares de Alexandre.
Os quatro foram presos inicialmente, mas a Justiça permitiu que respondessem em liberdade posteriormente — três deles monitorados por tornozeleira eletrônica. Testemunhas foram ouvidas e, segundo a investigação, dois dos suspeitos chegaram a confessar os fatos durante as primeiras diligências.
A defesa dos denunciados, representada pelos advogados Arthur Travaglia e Claudia Piccin, divulgou nota afirmando que “a denúncia oferecida pelo Ministério Público apresenta inconsistências e excesso de acusação” e informou que os fatos serão esclarecidos durante a instrução processual.
O caso segue em investigação e tramitação judicial enquanto o MP aguarda laudos periciais e a conclusão das fases iniciais do processo.