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ONU adota a projeção Equal Earth para corrigir distorções do mapa de Mercator

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Assembleia Geral aprovou a resolução ‘Correct the Map’ para substituir o mapa predominante e mostrar o tamanho real de continentes como a África.

A Assembleia Geral da ONU aprovou a resolução denominada “Correct the Map” e adotou a projeção Equal Earth como alternativa ao mapa de Mercator, buscando representar de forma mais fiel as áreas dos continentes. O texto da matéria foi baseado em reportagem da BBC.

O debate motivou a mudança por causa de distorções conhecidas do Mercator, que faz, por exemplo, a África parecer de tamanho similar à Groenlândia, embora a BBC registre que o continente African seja na realidade cerca de 14 vezes maior.

Por que o Mercator distorce

O mapa de Mercator foi criado em 1569 por Gerardus Mercator com o objetivo de facilitar a navegação: permitia que uma linha reta no mapa representasse um rumo de bússola constante. Segundo o professor de cartografia James Cheshire, da University London College, isso é exatamente o que a projeção faz.

Para manter ângulos corretos em uma superfície plana, Mercator amplia as áreas à medida que se afastam do equador, fazendo com que países próximos ao equador pareçam menores e regiões polares pareçam maiores. Ainda segundo a BBC, a projeção segue sendo a base de muitos mapas usados em salas de aula, na TV e on-line, incluindo o Google Maps.

Equal Earth e outras alternativas

A Equal Earth foi desenvolvida por uma equipe de cartógrafos em 2018 com o objetivo de representar tamanho e forma das massas de terra de modo mais preciso. A projeção foi inicialmente adotada por 54 membros da União African antes da decisão da ONU.

A projeção de Peters, proposta por Arno Peters nos anos 1970 e baseada em um trabalho de James Gall de 1855, também prioriza a escala e corrige o problema de comparação de áreas — ao custo, porém, de distorcer as formas dos continentes. A BBC observa que, embora o mapa de Peters preserve linhas retas de longitude e latitude, essas linhas não representam rumos constantes de bússola e, portanto, são inúteis para navegação.

O debate sobre percepção e representações

Criticos do Mercator apontam que a forma como mapas representam tamanho e posição pode influenciar percepções políticas e econômicas. O geógrafo queniano Kioko Muendo afirmou à BBC que “mapas são mais do que guias para viajantes — eles moldam como as regiões são percebidas política e economicamente”.

O próprio James Cheshire resumiu o trade-off técnico: “você pode preservar área, ou forma, ou distância e direção, mas não tudo ao mesmo tempo perfeitamente, porque caso contrário você voltaria à esfera” — ressaltando a limitação inerente de representar a superfície esférica da Terra em um plano.

A decisão da Assembleia Geral adota, assim, uma projeção que busca maior fidelidade das áreas continentais, ao mesmo tempo em que mantém em aberto o debate sobre usos práticos distintos e as limitações técnicas de cada abordagem cartográfica.

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fabioaugusto
REDAÇÃO: UBIRATÃ ONLINE - FÁBIO AUGUSTO CELESTINO

Desde 2003 trabalhando com notícias.

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