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Um novo relatório da Polícia Federal, composto por 196 páginas e anexado ao inquérito que investiga o caso Banco Master, levantou uma suspeita de grande repercussão. O documento aponta que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, seria o verdadeiro proprietário do FIP Arleen, fundo de investimento que recebeu R$ 35 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro.
A investigação detalha movimentações financeiras complexas que conectam o fundo a um resort no Paraná e a transações internacionais. Conforme informação divulgada pela revista piauí, o material foi obtido após o ministro André Mendonça, relator do caso, determinar o levantamento do sigilo de parte dos documentos após consulta da imprensa.
Abaixo, entenda os principais pontos levantados pela apuração da Polícia Federal sobre a estrutura do fundo e o possível envolvimento de terceiros para ocultar a real propriedade dos valores e do controle societário envolvido na operação.
O FIP Arleen era sócio do Tayayá Resort, empreendimento situado em Ribeirão Claro, no Norte do Paraná, que possui ligações diretas com Dias Toffoli e seus familiares. Segundo a PF, o banqueiro Daniel Vorcaro realizou dois aportes no fundo, sendo um de R$ 20 milhões e outro de R$ 15 milhões, totalizando R$ 35 milhões.
A investigação destaca conversas interceptadas nas quais Vorcaro cobrava agilidade de seu cunhado para concluir os repasses. A PF interpreta essas mensagens como um sinal da preocupação do banqueiro com os negócios relacionados ao resort. O relatório indica que o fundo foi posteriormente transferido para o empresário Alberto Leite, amigo de Toffoli, após orientação de Vorcaro para preparar um contrato sem a identificação clara do comprador.
Após a mudança no controle, o regulamento do FIP Arleen foi alterado para permitir investimentos fora do Brasil. Em dezembro de 2024, cerca de R$ 34 milhões foram enviados para a Egide I, uma empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, território conhecido como paraíso fiscal. Com isso, praticamente todo o patrimônio do fundo foi transferido para o exterior.
A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que o ministro seja o verdadeiro beneficiário do fundo. A investigação levanta a possibilidade de que outras pessoas tenham atuado como laranjas para ocultar a propriedade de Toffoli tanto sobre o fundo quanto sobre os recursos enviados às Ilhas Virgens Britânicas.
O gabinete do ministro Dias Toffoli negou categoricamente as suspeitas levantadas pelo relatório da Polícia Federal. Em nota oficial, a defesa afirmou que o ministro jamais manteve recursos no exterior, seja de forma direta ou indireta.
Além disso, o gabinete negou qualquer realização de operações financeiras nas Ilhas Virgens Britânicas e refutou o recebimento de valores provenientes de Daniel Vorcaro ou de seus familiares, mantendo a postura de que as alegações contra o magistrado não possuem fundamento fático.
Qual o valor total que teria sido repassado por Daniel Vorcaro ao fundo? O montante total é de R$ 35 milhões, divididos em dois aportes de R$ 20 milhões e R$ 15 milhões.
Onde o FIP Arleen investia no Brasil? O fundo era sócio do Tayayá Resort, um empreendimento localizado em Ribeirão Claro, no Paraná, ligado à família do ministro Dias Toffoli.
Para onde foi o dinheiro após a mudança de regras do fundo? Cerca de R$ 34 milhões foram transferidos para a empresa Egide I, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, em dezembro de 2024.
Qual a posição do ministro Dias Toffoli sobre as suspeitas? O gabinete do ministro negou todas as acusações, afirmando que ele não possui recursos no exterior e nunca realizou operações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Quem é o relator do inquérito do Banco Master no STF? O ministro André Mendonça é o relator do caso e foi quem determinou o levantamento do sigilo de parte dos documentos da PF.