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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, enviou nesta segunda-feira (28) um ofício ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. O documento formaliza uma reclamação sobre o que o magistrado classifica como uma indevida sobreposição de competência em relação às decisões tomadas pela Justiça Eleitoral.
A manifestação de Nunes Marques ocorreu logo após o ministro Flávio Dino, do STF, derrubar uma decisão anterior do ministro André Mendonça, do TSE. A medida de Dino permitiu que o humorista Antonio Tabet mantivesse no ar uma postagem sobre Nossa Senhora Aparecida, que havia sido alvo de ordem de remoção pelo tribunal eleitoral.
Conforme informação divulgada pela Empresa Brasil de Comunicação, o presidente do TSE também se reuniu presencialmente com Fachin para levar suas queixas pessoalmente, buscando reforçar a necessidade de preservar a autonomia da Justiça Eleitoral no comando do processo das eleições.
No ofício enviado ao STF, Kassio Nunes Marques destacou que episódios reiterados de sobreposição de competência estão impactando diretamente o trabalho do tribunal. Segundo o magistrado, ocorre uma violação ao juiz natural, conceito jurídico que garante que o julgamento de um caso seja feito pelo órgão competente conforme a lei.
O presidente do TSE afirmou que a extensão de efeitos de decisões, realizada mediante decisões monocráticas do Supremo, acaba por alterar a arquitetura constitucional da jurisdição eleitoral. Para ele, isso fragiliza a unidade de comando que é considerada essencial para a condução correta e organizada do pleito eleitoral no país.
O atrito entre as cortes teve como estopim o caso do humorista Antonio Tabet. No último domingo (27), o ministro Flávio Dino atendeu a um pedido da defesa do humorista para restaurar uma publicação na rede social X. Na postagem, Tabet exibia uma foto de uma imagem religiosa com a legenda: “a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”.
A postagem havia sido removida anteriormente por uma decisão liminar de André Mendonça, no TSE. O candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), havia acionado a Justiça Eleitoral alegando que o conteúdo era inverídico e configurava discurso de ódio e imputação de crime. A decisão inicial do TSE determinava a retirada do material sob pena de multa diária de R$ 30 mil.
Diante do cenário atual, Kassio Nunes Marques defendeu formalmente a implementação de mudanças na tramitação dos processos no Supremo Tribunal Federal. O objetivo do presidente do TSE é evitar que decisões da Corte Eleitoral sejam derrubadas por decisões individuais de ministros do STF.
Kassio argumenta que a atual forma de atuação, via reclamatória, gera instabilidade jurídica. O tema deve seguir sendo debatido entre as cúpulas do Judiciário brasileiro, enquanto as eleições continuam sob o foco das decisões tomadas pelos ministros em Brasília.
Por que o presidente do TSE enviou um ofício ao STF?
Kassio Nunes Marques enviou o ofício para reclamar de indevida sobreposição de competência do STF sobre as decisões do TSE, o que, segundo ele, viola a unidade de comando do processo eleitoral.
Qual foi a decisão do ministro Flávio Dino que gerou o conflito?
O ministro Flávio Dino derrubou uma decisão do TSE que ordenava a remoção de uma postagem do humorista Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida, permitindo que o conteúdo fosse restaurado.
O que alega a defesa de Flávio Bolsonaro sobre a postagem?
A campanha de Flávio Bolsonaro argumentou à Justiça Eleitoral que a postagem de Tabet continha informações inverídicas, além de representar discurso de ódio e imputação de crime.
O que é a violação ao juiz natural citada pelo presidente do TSE?
O termo refere-se à preocupação de que órgãos que não são os competentes constitucionalmente para o caso eleitoral estejam interferindo ou alterando decisões tomadas dentro da esfera da Justiça Eleitoral.
Houve reunião para tratar do assunto?
Sim, além do envio do ofício, o ministro Kassio Nunes Marques reuniu-se presencialmente com o presidente do STF, Edson Fachin, para discutir as reclamações.