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Na quinta-feira, no auge dos protestos, centenas de liceus foram bloqueados; na sexta-feira a situação havia melhorado, mas cerca de 400 escolas foram fechadas para proteger alunos e funcionários, e universidades começaram a aderir às mobilizações.
De acordo com o Ministério da Educação citado pela reportagem, 65 profissionais da educação, entre eles cerca de 40 diretores de escola, ficaram feridos; segundo o ministério, a maioria informou que os agressores não eram seus próprios alunos. O governo também informou que cerca de 300 policiais e bombeiros foram atendidos por ferimentos e que cerca de 2.000 pessoas — em sua maioria menores — foram detidas.
Grupos estudantis afirmam ter uma longa lista de feridos por ação policial; a reportagem registra casos de dois adolescentes com graves ferimentos oculares e de um jovem que perdeu muitos dentes. Incêndios atingiram entradas de escolas em diversas cidades e o auditório principal de um liceu em Nantes foi destruído; o custo dos danos é descrito como milhões de euros.
Os pedidos dos manifestantes são descritos na reportagem como vagos, mas centrados em recursos: mais professores, turmas menores e melhores estruturas. No mesmo período, o primeiro‑ministro Sébastien Lecornu publicou o rascunho do orçamento do ano seguinte com a proposta de cortes e a meta de retirar €54bn (£46bn) dos gastos do Estado; se ele conseguirá atingir essa meta, afirma a matéria, permanece em aberto.
Além das demandas escolares, a reportagem destaca uma dimensão política que preocupa as autoridades: para setores da direita e do centro, a agitação estudantil estaria sendo instrumentalizada por elementos da esquerda radical, em particular pelo partido France Insoumise (LFI) e seu líder Jean‑Luc Mélenchon. Um relatório interno preparado para a polícia de Paris e vazado à imprensa concluiu que estudantes teriam sido “incitados por elementos de extrema‑esquerda”, citando a presença de manifestantes que não seriam liceanos, a bandeira palestina e argelina e táticas como convocar atos em delegacias.
O LFI negou agir além do apoio ao movimento e Mélenchon pediu aos estudantes que evitem a violência, afirmando que ela “só serve aos interesses dos nossos inimigos”, conforme registrado na reportagem. A matéria também cita pesquisas que mostram apoio expressivo a Mélenchon entre jovens de 18 a 24 anos — em torno de 40% segundo esses levantamentos — sobretudo em subúrbios populosos e com elevada imigração.
A reportagem observa ainda que governos franceses historicamente temem movimentos de jovens nas ruas desde maio de 1968; com as eleições presidenciais a poucos meses, diz o texto, a presença de estudantes nas barricadas tornou o cenário político particularmente sensível.