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A tradição de São Cosme e São Damião, que movimenta o Rio de Janeiro anualmente, voltou a reunir centenas de pessoas neste domingo (27). Entre missas nas Paróquia Católica e festividades em Terreiro de umbanda, a data é marcada pela distribuição de doces e pela demonstração de devoção popular.
Devota desde a infância, a professora Caroline Pinho de Araújo destaca que a prática vai além da religiosidade, sendo um ato de gratidão por conquistas pessoais e familiares. Para ela, o momento é fundamental para promover a alegria e combater discursos de ódio, conforme informação divulgada pela Empresa Brasil de Comunicação.
A celebração, que ocorre em diferentes espaços da cidade, reflete o forte sincretismo religioso presente na cultura carioca. Enquanto católicos honram o testemunho de vida dos santos, praticantes de religiões de matriz africana celebram a data associando os irmãos aos erês, as entidades espirituais infantis.
Segundo o historiador Luiz Antonio Simas, Cosme e Damião foram médicos cristãos que viveram no Século 3, na região da atual Síria. A tradição relata que eles atendiam crianças doentes sem cobrar nada, oferecendo doces para trazer alegria e auxiliar no processo de cura dos pequenos pacientes.
O padre Luiz Gustavo Menezes do Nascimento, da Paróquia de São Cosme e São Damião, no Andaraí, ressalta que a memória desses homens permanece viva após 1,7 mil anos. Ele recorda que os santos foram martirizados a mando do imperador romano Diocleciano, figura que também perseguiu outros nomes importantes para a fé carioca, como São Jorge e São Sebastião.
O sincretismo religioso foi uma ferramenta essencial para que os escravizados pudessem manter suas crenças durante o período colonial. No Terreiro de Umbanda Cosme e Damião, em Vila Isabel, a distribuição de doces, bolos e kits de higiene para a comunidade local já é uma tradição Famílias que atravessa mais de 60 anos.
A mãe de santo Ana Carolina Oliveira reforça que a festividade no terreiro, que ocorre há seis anos, é um momento de união. Para participantes como a massoterapeuta Vania Victorio Gonçalves da Silva, a entrega de brindes é uma forma de resgatar a história e a memória de seus ancestrais, mantendo vivo o legado deixado por suas avós e mães.
A celebração aberta de Cosme e Damião também funciona como uma manifestação pública contra a intolerância religiosa. Estudantes e fiéis relatam que participar das festas e distribuir doces é uma forma de ocupar espaços e afirmar o direito de celebrar a própria fé, independentemente das críticas ou preconceitos enfrentados.
A alegria das crianças, que aguardam ansiosamente pelos doces, continua sendo o ponto central de toda a festividade. Seja nas escadarias das Igreja ou nos portões dos Terreiro, a tradição carioca sobrevive como um símbolo de resistência e de amor ao próximo.
Quem foram Cosme e Damião?
Eram médicos cristãos do Século 3 que atendiam crianças sem cobrar nada e acabaram martirizados pelo imperador romano Diocleciano.
Por que se distribuem doces no dia de Cosme e Damião?
A tradição remete ao hábito dos santos de ofertar doces para crianças doentes, acreditando que a alegria era parte fundamental do processo de cura.
Qual a relação dos santos com as religiões de matriz africana?
Os santos são sincretizados com os erês, entidades infantis, permitindo que escravizados mantivessem suas tradições de fé sob a proteção da iconografia católica.
A celebração é apenas católica?Não, a data é celebrada amplamente tanto pela Igreja Católica quanto por Terreiro de umbanda e candomblé, sendo um marco do sincretismo no Rio de Janeiro.
Por que a data é importante para a cultura carioca?
Além do aspecto religioso, a tradição é vista como um resgate histórico e uma forma de combater a intolerância religiosa, unindo adultos e crianças em uma festa comunitária.