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Zélia Amador de Deus, ícone da luta antirracista na Amazônia e fundadora do Cedenpa, morre aos 75 anos

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Zélia Amador de Deus deixa um legado histórico como uma das principais vozes do movimento negro na Amazônia e na defesa da educação inclusiva

O movimento negro brasileiro perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas. Zélia Amador de Deus, pesquisadora em ciências sociais, ativista e professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA), faleceu deixando um rastro de transformações profundas na luta antirracista no norte do país.

Conforme informação divulgada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a educadora foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa). Sua trajetória foi marcada pela defesa incansável dos direitos das comunidades quilombolas e pela ampliação do acesso de grupos historicamente excluídos ao ensino superior.

Recentemente, em 18 de agosto, a professora foi homenageada na UFPA com o plantio de um baobá, símbolo de ancestralidade e memória. O reitor da instituição, Gilmar Pereira da Silva, descreveu Zélia como uma entidade que, mesmo com sua relevância acadêmica, nunca perdeu a sensibilidade no trato com as pessoas.

Uma vida de resistência e superação

Nascida em 1951, em uma fazenda de gado no município de Soure, na Ilha do Marajó, Zélia enfrentou desafios desde a infância. Filha de mãe solteira, viveu em uma família de trabalhadores braçais que migrou para a periferia de Belém em busca de melhores condições de vida.

Em sua trajetória acadêmica e pessoal, relatou ter sofrido racismo em escolas públicas devido à sua cor de pele e ao cabelo crespo. Com a influência de sua avó, aprendeu a não baixar a cabeça, transformando essas experiências em combustível para sua atuação como professora emérita de Antropologia e Ciências Sociais, título recebido em 2019.

Protagonismo na educação superior

O legado de Zélia Amador de Deus na UFPA é vasto. Além de ter sido vice-reitora da instituição entre 1993 e 1997, ela foi peça-chave na implementação de políticas de cotas raciais e na criação do processo seletivo especial para quilombolas, garantindo a presença desses povos na academia.

O professor Jonas Pinheiro destacou que ela abriu caminhos para que Negras, indígenas e povos tradicionais pudessem ocupar e permanecer no ambiente universitário. Para a historiadora Janira Sodré, Zélia ensinou a nortear o olhar sobre o país, colocando o protagonismo das mulheres da Amazônia Negra no centro do debate.

Reconhecimento e memórias

A notícia de sua partida gerou comoção entre ativistas, acadêmicos e artistas. A cantora Gaby Amarantos expressou sua gratidão, afirmando que os ensinamentos da cientista permanecerão vivos. A memória de sua tenacidade e alegria é um ponto comum nas homenagens prestadas por aqueles que conviveram com ela.

O baobá plantado na UFPA, que a própria Zélia descreveu como uma representação de ancestralidade, permanece como um marco físico de sua passagem. Sua atuação não apenas mudou a estrutura da universidade, mas consolidou um modelo de resistência e respeito aos saberes tradicionais que continuará a inspirar novas gerações.

Perguntas Frequentes

Quem foi Zélia Amador de Deus?
Zélia Amador de Deus foi uma pesquisadora em ciências sociais, ativista antirracista e professora emérita da UFPA, reconhecida como uma das maiores referências do movimento negro na Amazônia.

Qual foi a importância de Zélia para a UFPA?
Ela foi vice-reitora da instituição e foi fundamental na luta pelas cotas raciais, na criação do processo seletivo especial para quilombolas e na promoção de uma universidade mais inclusiva.

Onde Zélia Amador de Deus nasceu?
A ativista nasceu em 1951, em uma fazenda de gado na cidade de Soure, localizada na Ilha do Marajó, no Pará.

Qual o significado do baobá plantado em sua homenagem?
Segundo a própria Zélia, o baobá representa a ancestralidade, a memória e o reconhecimento daqueles que vieram antes, possuindo forte simbolismo para os povos africanos.

Qual instituição ela ajudou a fundar?
Zélia foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), organização de grande relevância na luta antirracista na região.

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fabioaugusto
REDAÇÃO: UBIRATÃ ONLINE - FÁBIO AUGUSTO CELESTINO

Desde 2003 trabalhando com notícias.

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